Inflação disfarçada: produtos cada vez menores e mais caros. (Foto de Laura James/Pexels)

Cada vez menores, menos eficientes e mais caros

Alguém ja reparou no tamanho das embalagens de biscoitos e bolachas de uns anos pra cá? Algum consumidor já comparou a foto de uma barra de Chokito antiga com a atual? E o Bis, perceberam o quanto ele é bem menor hoje do que tempos atrás? Pois é meus amigos, as embalagens de produtos estão diminuindo de tamanho, cada vez mais, só que os preços continuam aumentando.

Na verdade o que temos passado há muito tempo e nao estamos percebendo direito é a diminuição da qualidade e quantidade de vários produtos que consumimos costumeiramente.

Uma pessoa que me despertou a atenção para esse fato foi minha esposa. Outro dia ela me disse que o sabão líquido que ela usa para lavar roupas não tem mais a mesma eficiência. “Faz  muito menos espuma e não limpa direito”, me disse ela mostrando uma camiseta branca que continuava com manchas de sujeira. E não venham me dizer que o fato de “fazer menos espuma” é uma questão tecnológica e avanço do  produto porque a prática diária mostra que o ele – de uma marca das mais consumidas – perdeu qualidade.

Mas porque isso? Muita industrias, no afã de reduzir o custo de produção de seus produtos, sem ter que mexer no preço, acabam mexendo em suas fórmula originais, tirando ou reduzindo uma ou outra substância. No caso dos sabões líquidos é perceptível a sua redução de eficiência. Já em embalagens de alimentos, dimiui-se o recheio, o tamanho e a quantidade (quando em muitas unidades no pacote). Há casos também em que se percebe um abuso, pois não vejo outra forma de chamar a situação: a pouca quantidade de conteúdo para uma embalagem desproporcional ao que contém. Vide um saco de Doritos de 300gr que tem menos da metade de salgadinhos que sua embalagem acomodaria. Talvez para passar a impressão de que o saco maior tem mais conteúdo – mero engano.

Mas o pior de tudo mesmo é o aumento considerável de preços em relação a diminuição de tamanho. Vale a lei do “quanto menor melhor, porque lucramos mais”.  As caixas de bombons são um exemplo clássico – elas já pesaram meio quilo e, agora, são metade disso. Mas elas não são o único item que diminuiu de tamanho e permaneceu com o mesmo preço ou ficou ainda mais caro. Molho de tomate, salgadinhos e até paçoquinha, tudo isso diminuiu de tamanho no carrinho, pegando consumidores desavisados de surpresa e gerando revolta em quem percebe a diminuição. E o pior é que pouca gente percebe ou não se importa com isso.

É uma forma de enganar o consumidor que está acostumado a uma determinada marca e nem presta atenção na mudança. Muita gente não repara no aviso de “Nova Embalagem”, que traz peso ou quantidade menores, a não ser quando pega o produto e acha estranho que esteja menor.

As marcas são obrigadas, por lei, a informar a diminuição, inclusive com a porcentagem reduzida, “de forma ostensiva” na embalagem durante pelo menos três meses, sob risco de multa. A portaria federal de 2002 que estipula essa medida, entretanto, não deixa claro o tamanho que o aviso precisa ocupar no produto e, por isso, os avisos, passam despercebidos pelos consumidores mais distraídos.

O fabricante diminui a gramatura e aumenta o preço, até para o supermercado. É uma desonestidade o que a indústria vem fazendo para minimizar os seus custos.

A diretora executiva da Associação Brasileira de Embalagem (Abre), Luciana Pellegrino, afirma que a oferta de matéria-prima para as embalagens e os preços ainda não foram normalizados, após um impacto significativo por causa da pandemia. “Houve escassez e inflação do preço dos materiais, até porque muitos são commodities, com preços do mercado internacional”, pontua.
Ela também aponta que as marcas têm se adaptado ao aumento do número de divórcios e à redução do tamanho das famílias brasileiras nas últimas décadas, lançando embalagens menores ou em tamanhos muito maiores, apelando para categorias econômicas. As mudanças de comportamento do consumidor também são apontadas pela Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (Abia).
Tudo muito interessante mas, para mim, nao cola. As desculpas, na verdade, escondem a verdadeira intenção de “produzir menor, com retorno maior” e quem paga a conta sempre será nós, consumidores. Se alguém não concordar comigo ou deve ser fabricante de alguns produtos desses que citei ou não percebeu que a boca do tubo de pastas de dente está com a circunferência maior para que vc coloce mais pasta da escova e, com isso, a consuma mais rápido, fazendo você correr ao supermercado mais vezes para comprar mais. To errado?
Então confira algumas reduções de peso e tamanho que muita gente não percebeu nos produtos que, independentemente da redução, subiram de preço:

Salgadinhos Ruffles:
De 84g, para 76g. Redução de 9,5%.

Sabonete Daily Care Johnson&Johnson
De 90g para 80g. Redução de 11,2%.

Molho de tomate Pomarola
De 340g para 320g, Redução de 5,9%.

Biscoito Nesfit
De 200g para 160g, Redução de 20%.

Barra de chocolate Special Dark Hershey’s
De 100g para 85g, redução de 15%.

ATENÇÃO: As embalagens de ovo também estão menores no mercado. Tradicionalmente vendidas com 30 ou 12 unidades, agora é comum encontrar opções de 20 e 10 unidades.

Fontes: Amazon; Americanas.

(com informações do Portal O Tempo/MG)

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