Estou parado no semáforo aguardando a luz verde, ma ela se acende já escuto uma buzina atrás de mim dizendo “Ei, acelera rapá!”. Não chegou a 2, isso mesmo, DOIS segundos o tempo que o camarada detrás levou, impacientemente, para me dizer que o sinal estava aberto – o que eu já tinha visto, claro. Impaciência que o levou a ganhar apenas 2 segundos de tempo no seu dia.

Em outro dia estou num carro de aplicativo quando o motorista liga a seta (coisa rara em Campo Grande) para entrar a direita. Logo atrás, na pista ao lado estava uma mulher que parecia não querer que o motorista entrasse na frente dela e acelerava cada vez que ele pedia passagem pra entrar. Depois de 4 tentativas sem a devida colaboração da senhora, ele forçou a passagem e tomou uma buzinada daquelas, além de um belo xingamento da velha que, pela sua idade, nem deveria agir dessa maneira mais, como se estivesse correta na sua atitude. Isso deve ter resultado, apenas, num aumento de pressão arterial da anciã que seguiu esbravejando e agitando uma das mãos dentro do carro como querendo dizer “vai pra aquele lugar”.

Só pra complementar, ouço diariamente no programa de rádio que faço (Horário de Pico, na Blink FM 102,7) das 17h as 19h, motoristas que nos enviam mensagens reclamando da atitude de outros motoristas que acreditam, ao pagar o IPVA, ter comprado um pedaço da rua que seu carro ocupa, tamanha a falta de colaboração no trânsito. É tanta gente que força passagem, que não dá passagem, que não dá seta, que buzina quando não deve, que para em fila dupla, que dá fechadas, que anda na contramão, que estaciona na calçada ou em vaga proibida, e mais uma enormidade de irregularidades. E não estão nem aí! Pior que isso, esbravejam contra qualquer chamada de atenção como se estivessem no pleno direito e autoridade do que estão fazendo de errado.

Intolerância é a arrogância disfarçada de prepotência!

Intolerantes, mal-educados, ignorantes e prepotentes. Assim são certos seres humanos que ainda acreditam que viver em sociedade não exige exercícios de paciência e colaboração. E tenho percebido que essas reações vem de todo o tipo de gente mas, principalmente, daqueles cujos carros demonstram (erroneamente) seu status e suposto poder. Ou seja, quanto mais caros e luxuosos os veículos, mais intolerantes são seus donos.

E essa onda de intolerância a que me refiro, não está apenas no trânsito ou nas ruas. Certo dia vi uma mulher gritando com um funcionário do Detran do Shopping Campo Grande porque ela “já estava esperando pelo documento havia mais de 15 minutos!”. Isso porque, assim como eu, foi alertada, ao chegar, que o processo demoraria cerca de 40 minutos. E eu, na espera por quase uma hora, ainda estava ali, paciente, tranquilo, fuçando no celular enquanto esperava o que era importante pra mim.

Atribuo boa parte dessa impaciência e intolerância a um fenômeno chamado de Redes Sociais. É ali que a maioria das pessoas “soltam os cachorros”, protegidas pelo distanciamento físico dos seus seguidores, pois sabem que só serão fustigadas ou agredidas apenas “digitalmente”, por aqueles que tambem se protegem por detrás das suas telas. Aí, quando saem pras ruas, parecem imbuídas da mesma proteção virtual de que gozam, despejando sua pretensa liberdade de agir da forma que bem entendem, ou que sua arrogância permite.

Mas esse é um caminho tortuoso demais para se seguir pois devemos lembrar que nunca sabemos o tamanho da ignorância ou loucura da pessoa a quem ofendemos. No trânsito, principalmente, não é difícil alguem descer do outro carro e partir pra cima de você com uma barra de cano ou uma arma na mão para tirar satisfações sobre a sua buzinada ou xingada.

Mas, independentemente de desconhecermos a possível reação dos outros, é importante lembrar da nossa postura, da nossa missão em sociedade, da lei da ação e da reação em que recebemos o que damos. Devemos lembrar do respeito ao próximo, de engolir o orgulho e conter a raiva, pois isso so tem como consequencias sentimentos semelhantes.

A gente precisa aprender a respirar mais e a contar por mais tempo quando algo nos tira do sério. Nunca sabemos no que pode resultar atitudes impensadas que temos. E muitas vezes, a intolerância só prejudica a nós mesmo, fazendo com que aquela ira continue queimando dentro da gente, como azia, mesmo tempos depois do fato que gerou aquilo.

Eu sempre digo que intolerância é a arrogância disfarçada de prepotência. Parece redundância, mas são os três sentimentos e atitudes que mais destróem o sentido de viver em sociedade.