Estamos vivendo uma era que eu chamo de “Mimimismo”. Sim, quero dizer cheia de mimimis. Nossos filhos são um bom exemplo disso. Diariamente vejo minha filha e filhos de amigos reclamando de alguma coleguinha da escola que “Mariazinha puxou seu cabelo, Zezinho derramou sua lancheira de propósito, que Luizinho fica botando apelido em todo mundo”, etc. Quando não vem da escola, reclamam que não querem isso ou aquilo no almoço, que não querem vestir tal roupa, que não querem fazer isso ou aquilo. Mimimi e reclamação pra todos os lados. No grupo de mães da escola no whatts então, é uma acusando a filha da outra de estar incomodando seu rebento. Aqui em casa, minha filha de 7 anos ficou de castigo porque incomodou outra. Não passo a mão na cabeça!

Na minha época se eu chegasse pro meu pai dizendo que tinha brigado na escola, acabava apanhando em casa também. Dizer, então, que fulano me empurrou, pegou meu lanche, pisou no meu pé ou coisa parecida, era castigo na certa pra mim por reclamar demais, que nem “maricas”. O bullying já existia de uma forma muito mais pesada do que hoje e nem por isso tinha essa denominação da “nova era” ou era algo que precisava ser estudado e debatido. Eu era chamado de baleia, pança, orelhudo e cabelo de tigela e nem por isso voltava pra casa chorando ou reclamando pros pais. Se eu me invocava, dava uns tabefes no meu “agressor”, ia parar na diretoria e voltava orgulhoso de ter revidado. Mesmo que tomasse uns puxões de orelha da diretora. Se meus pais fossem chamados à diretoria pra uma conversa, iam encabulados e constrangidos pelas minhas atitudes. Voltando pra casa era safanão, castigo e uma semana sem botar os pés na rua.

Hoje não. Se o filho apronta e os pais são chamados à diretoria, já chegam cheios de marra, dando de dedo na professora querendo saber o que fizeram com o filhinho deles. E o pirralho ali, sorrisinho no rosto, se vangloriando dessa proteção. Ainda são capazes de dizer que “não pagam a escola para o filho ter a atenção chamada na frente dos colegas”. E se orgulham, numa discussão com a professora, em dizer “QUEM PAGA O SEU SALÁRIO SOU EU!”.

Por isso, cada vez mais, percebo que esses pais estão no caminho errado e estão criando monstros ao invés de cidadãos, contribuindo para a “mais mimimizenta geração da história do mundo”. Depois estas crianças se tornam “adultos-problema” e vão dizer que é culpa da sociedade.

Não! Não é! A culpa é dos próprios pais que tem a missão mais importante da vida que é dar uma boa criação aos filhos. Mas ao invés disso, preferem silenciá-los com smartphones poderosos, mimos e superproteção. Preferem vê-los trancados no quarto a tê-los incomodando na hora do futebol ou do jantar. Dão mais valor à suas carreiras e trabalho do que à convivência familiar. E assim, esses humanoides vão crescendo, trancados em seus cômodos com o perverso universo da internet à sua disposição. E sem controle algum.

Devemos lembrar o seguinte: quando crianças, a escola é fundamental, mas essencial mesmo é a educação familiar, os valores que queremos que nossos filhos aprendam e desenvolvam. Quando adolescentes é a rua e os amigos que acabam influenciando suas decisões, pois muitos nos acham caretas, quadrados e “não estamos antenados com as novas tendências mundiais”. Já no início da fase adulta, são as universidades, as públicas comunistas, que fazem com que nossos filhos decidam como e quem vão ser, baseados no que os professores marxistas e che-guevaristas lhes dizem. Mas na adolescência na faculdade, só se deixarão influenciar pelo mal aqueles que não contaram com a presença dos pais na infância.

Não entendo nada de psicologia para traçar qualquer tese do que deve ser feito, só afirmo aquilo que vivi e aprendi com meus pais. Além disso criei outras duas meninas que se tornaram grandes mulheres, mães e profissionais sem nunca ter dado um pingo de dor de cabeça sequer. Acho que alguma coisa aprendi com isso. E mais, com todas as surras, castigos e bullying que sofri, não me tornei nenhum ser humano recalcado, problemático, paranoico ou cheio de traumas como vejo crianças hoje, antes de chegar aos 15 anos de idade.

Mimimizentas estão as crianças de hoje, mimizentos são os pais que reclamam uns com os outros sem fazer nada, mimimizenta esta toda uma sociedade que prefere reclamar a agir, na maioria das vezes, usando as redes sociais de escudo como cães covardes que só ladram e avançam quando o portão está fechado.