A recente morte da gerente de banco de Cuiabá, Lilian Calixto, nos revela uma estatística cruel: tem aumentado o número de pessoas que morrem por causa da vaidade. Lilian, como foi noticiado, morreu por causa de complicações durante uma cirurgia em que iria colocar próteses nas nádegas, além de outros procedimentos estéticos. A operação foi feita com o médico Denis Furtado, conhecido como Doutor Bumbum, que foi preso com a mãe depois da morte da bancária. Ele não tinha autorização para atuar no Rio de Janeiro e a mãe já tinha o registro cassado desde 2015 por práticas ilegais de medicina.

Respeitando a vítima, sua família e a dor causada pela sua perda, não podemos ignorar que os motivos que a mataram vão além da imperícia médica. Primeiro, o risco a que ela se propôs ao marcar uma cirurgia com um médico que conhecia apenas pela internet e depois de trocar algumas mensagens para marcar os procedimentos. Depois a vaidade que a conduziu a tal risco pois, observando-a pelas fotos publicadas, não se consegue imaginar o que mais poderia ser retocado em seu corpo, tamanha sua beleza. Baita mulher bonita que, pelo que se sabe, não precisaria de nenhuma cirurgia estética.

E esse tipo de vaidade a que me refiro tem provocado mortes no Brasil, não é de hoje. Um estudo do médico Érico Pampado Di Santi, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), revela que entre 1987 e 2015, 102 pessoas morreram por complicações em cirurgias plásticas. O número pode parecer irrelevante de certo ponto de vista – média de 3,6 mortes por ano. Mas a grande maioria, segundo o estudo, foi por questões meramente estéticas, o que requer atenção das autoridades em saúde do país.

A pesquisa mostra ainda que a maioria era mulheres que apenas buscavam uma melhorazinha aqui ou ali para satisfazer seu ego. Nenhum desses casos, segundo o médico, foi por questões de saúde ou cirurgias corretivas. Então, por essa óptica, podemos dizer que sim, a vaidade mata.

Isso só me leva a refletir sobre a insatisfação das pessoas com si próprias. Para muitas, olhar no espelho e não ver o que realmente gostariam de ver, parece que causa uma decepção como se a felicidade se resumisse em não ter pneuzinhos, uma barriga protuberante ou um nariz adunco. Não obedecer aos padrões de beleza ditados pela sociedade atual é a morte pra muita gente.

Mas o que muitas pessoas não sabem que o que está morrendo é a verdadeira essência dos seres humanos. Buscar ter um corpo mais esbelto ou um rosto mais dentro dos “padrões” por uma questão de saúde, tudo bem, é até necessário. Mas qual a justificativa de fazer 5 plásticas no nariz apenas para levantá-lo ou enxertar silicone nos bumbuns para parecer maior do que já é? É claro que cada um faz o que bem entende com seu corpo, mas até que ponto pessoas vão continuar morrendo por mera vaidade?

Os números levantados pelo doutor Di Santi já são preocupantes, mas podem ser muito maior já que grande parte dos casos de morte por cirurgias plásticas sequer chegam aos noticiários.