Foi só chegar e ganhar esse visual na janela.
Foi só chegar e ganhar esse visual na janela.

Uma frase que eu sempre repeti a vida inteira: “É bom viajar, rodar o mundo. Mas o melhor é poder voltar pra casa”. Não interessava onde eu estivesse, o conforto que eu estava tendo ou o luxo que estava vivenciando, o melhor de tudo era estar no aeroporto para voltar. É uma sensação que talvez muitos não tenham por querer continuar na estrada, vivendo aquelas experiências, vislumbrando aquelas paisagens, mas poder voltar pra casa, para mim, significa retornar ao meu porto seguro, ao ambiente onde sou rei sem súditos, lugar em que o travesseiro reserva o meu cheiro, guarda os meus sonhos, descansa minha consciência e minhas conquistas. Em lugar nenhum do mundo eu teria essas sensações.

E a minha volta para Campo Grande tem tudo isso e algumas essências mais.

Muita gente deve estar se perguntando porque retornei, depois de conquistar uma excelente posição no jornalismo nacional e viver numa cidade onde as oportunidades são vastas e ímpares. Alguns, maldosos, claro, vão dizer que é porque saí da Record e não tinha mais alternativas. Hahahaha! Como tem gente que se esforça em desejar que tenha sido isso. Mas não ligo! Diante de tudo o que conquistei até hoje, o meu retorno, para mim e para alguns amigos que sempre mantive aqui, tem gosto de vitória, de mais um degrau alcançado na vida que busco para minha família.

Quando algumas pessoas me desejavam “bom recomeço” eu logo corrigia: “Não é um recomeço. Na verdade é um UPGRADE!” Afinal, quem numa certa idade, tem o privilégio de voltar a morar numa cidade com qualidade de vida, num padrão mais elevado, com projetos e realizações muito mais concretas que lhe permitam ter mais tempo ao lado da família, almoçar em casa e até tirar um cochilo depois disso? Onde eu estava isso era raro, pra não dizer quase impossível. E poder vivenciar tudo ao lado da minha filha de 5 anos, não tem preço.

Com o passar do tempo passei a entender que a qualidade de vida não está ligada ao quanto você ganha, mas sim ao quanto você precisa para viver. E viver com simplicidade, desapegado de coisas superficiais que a gente passa a vida inteira tentando conquistar, é o melhor conforto para a alma.

Aqui em Campo Grande eu fiz minha vida, mas também perdi conquistas. O que eu conquistei me trouxe comemoração. O que eu perdi me trouxe aprendizado. E o que mais assimilei é que a gente não precisa de muito pra viver. O que a gente precisa é de paz de espírito. Encostar a cabeça no travesseiro e dormir um sono profundo diariamente é conquista de poucas pessoas. Saber agradecer isso, de muito menos pessoas ainda.

Aprendi também que é muito melhor ser feliz do que ter razão, pois esta a gente perde fácil. Basta uma discussão no trânsito ou em família, por exemplo. A felicidade, se você quiser, ninguém te tira – é o teu maior patrimônio.

A vida me ensinou ainda que nada é impossível, tudo tem solução! E como diz um provérbio antigo, “se não tem solução, solucionado está”. E sendo assim, toda a preocupação e desgaste com o problema terão sido em vão.

Mas eu menti! Na letra de uma música minha que toca por aí (O Abraço da Terra), composta em 1992 com base no amor que eu tenho à esta cidade, eu dizia “Jamais vou-me embora daqui. Capaz d’eu morrer bem mais feliz…!”. Menti porque acabei indo embora. Mas voltei! Bem mais preparado, bem mais maduro, bem mais feliz “como os seres deste pantanal…” e bem mais apaixonado por essa terra morena.

E agora sim, de verdade, fazendo jus à letra, é capaz d’eu morrer bem mais feliz!