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O Brasil está em frangalhos. A presidente corre o risco de um impeachment, seu líder no governo está preso, o presidente da câmara está a beira de uma cassação e a economia caminha para um buraco do qual ainda não se conhece a real profundidade. Reflexos da crise política. Em meio a esse turbilhão de crises aqui e ali, ainda investiga-se uma suposta fraude no maior prêmio já pago pela Megasena – o que não duvido que tenha havido, tamanhas as “coincidências” que rodeiam o sorteio. Tudo isso por causa de corrupção, malandragem, troca de favores e um “toma-lá-dá-cá” que há muitos anos impera como premissa básica da política brasileira. Aliás, essa é uma classe que perdeu a moral, a compostura e a credibilidade. E esse exemplo que vem de cima é o que sempre permeou a consciência do brasileiro, contaminou-a de tal forma que hoje acha-se normal e comum querer levar vantagem em tudo, passando a perna nos mais inocentes, fazendo valer a lógica dos mais espertos. Uma onda que transformou a exploração de nós, contribuintes, num meio de vida para muita gente, para muitos prestadores de serviços, que não tem o mínimo pudor, a mínima decência e usa o máximo de escárnio possível no trato com quem depende deles pra alguma coisa.

Vou dar um exemplo: um amigo precisou recentemente refazer os documentos do carro. Ele precisava transferir o carro para a esposa, mas encontrou na burocracia e nessa exploração que eu disse acima o exemplo de como certas coisas são feitas para nos fazer pagar a a alta conta da roubalheira no país. Meu amigo precisava, primeiro, tirar uma segunda via do CRV (Certificado de Registro do Veículo) para que constasse uma alienação feita recentemente. Teve de pagar entre taxas do Detran/SP e da vistoria (feita por uma empresa privada credenciada pelo Detran) cerca de 400 reais. Feito isso e, alguns dias depois, com o novo documento nas mãos, para fazer a transferência para sua mulher teve de recolher novamente a referida taxa (R$ 163,00), mais 25 reais do reconhecimento de firma do cartório. Só que o Detran exige o laudo de vistoria, que é válido por 30 dias. Sabendo disso, ele se dirigiu a empresa que faz o serviço para o Detran e pediu uma cópia do laudo feito menos de uma semana antes. Para sua surpresa, essa segunda via lhe custou mais CINQUENTA REAIS!! Isso mesmo!! Cinquenta paus por um serviço que já tinha sido feito e custado 120 reais. Ou seja, foi apenas uma impressão colorida! E outra: se o casal resolver refinanciar o carro, vai ter de pagar todas as taxas de novo para que o carro, sem mudar de dono, seja alienado ao banco!

Com base nisso podemos perceber claramente que o sistema brasileiro que envolve a cobrança de taxas e impostos foi criado para arrancar dos nossos bolsos tudo que se puder. No caso dos Detrans/Ciretrans de todo o país então, a máfia criada para emissão de laudos e documentos é a mais habilidosa, asquerosa e credenciada quadrilha montada para esfolar o contribuinte.

Se a gente for parar pra rever porque pagamos tantas taxas nesse país, a gente enlouquece. Mas vamos ficar primeiro na questão que envolve o Detran, pra ancorar o exemplo que eu dei aqui. Pra que serve IPVA? É um imposto arrecadado pelos estados cujo valor vai direto para o Tesouro – um dinheiro que os governos estaduais tem para custear despesas e investir em obras e serviços. Mas o Estado não é obrigado a gastar o dinheiro arrecadado com o IPVA em novas estradas ou recuperação da malha viária. Os recursos entram no bolo total do orçamento e o governante pode gastá-lo onde achar melhor. E por acaso você sabe pra onde ele vai? Não é um pouco absurdo você pagar um imposto para ser dono de algo? Se você comprou e pagou pelo bem, seja um carro ou um imóvel, incluindo no valor todos os impostos que o governo cobra das fábricas e construtoras, pra que pagar mais pra ser dono dele? É o que diz a lei e nós a engolimos.

No caso dos imóveis a situação é ainda mais estarrecedora. Quando vc compra um imóvel, tem de pagar o registro em cartório (que custa uma fábula) mais o ITBI (Imposto sobre Transmissão de Bens Imóveis). Ou seja, vc paga para a prefeitura para poder ter no seu nome esse imóvel que você comprou. Se vendê-lo, na hora de registrá-lo, o comprador terá de pagar as taxas e impostos novamente. E assim sucessivamente por gerações e gerações. Já imaginou quantas vezes a prefeitura ganha em cima de transações como essa? Ah, ia me esquecendo que sobre este imóvel ainda paga-se o IPTU (Imposto Predial e Territorial Urbano). E pra que serve? O IPTU serve para custear despesas de administração e dos investimentos em obras de infraestrutura do município e serviços essenciais à população, como saúde, segurança e educação. E é isso que você vê aí na sua rua, no seu bairro, na sua cidade e no nosso país! Não é~mesmo?

Por essas e por outras é que a carga tributária do país é tão alta. Você paga imposto pra receber seu salário, depois sobre tudo o que compra, tudo o que vende, tudo o que aluga. E olha só outro absurdo: o prêmio da Megasena, por exemplo, corresponde a 35% da arrecadação total. Mas quando você recebe o prêmio líquido, ainda tem de pagar os 27% do Imposto de Renda. O que fica com o governo deveria ser investido em educação, saúde, obras, segurança, etc. Mas o que a gente vê? Situação bem diferente disso!

E não é só o governo que nos esfola não! Lavar o carro passou de 35 para 60 reais. O sanduíche do boteco da esquina que entrega em casa subiu 80%. Não se acha mais pizza a 35 reais e uma garrafinha de água de 1,50 passou a 3 reais. Isso sem falar no valor dos combustíveis – um posto aqui na avenida Pacaembu tem a ousadia de cobrar R$ 3,69 pelo litro do álcool! Isso mesmo, DO ÁLCOOL!!! E tem mais: a escola aumentou 30%, a luz 150%, a água (quando tem) 75%. Um simples cafezinho que pagávamos antes uns 2,50 não custa menos de 5 reais hoje. É abuso atrás de abuso! E é sempre a gente que paga a conta!

Enfim, não há saída. Tá todo mundo querendo tapar o rombo às nossas custas. É a crise do “Salve-se quem puder”! Já se criou um círculo tão vicioso para extorquir o cidadão de bem, ilegal ou legalmente, que nenhum governo será capaz de mudar, independentemente de partido. Mas não muda porque há interesses maiores que passam muito longe do bem estar da população. Quanto mais se arrecada, mais dinheiro se tem para a corrupção, para o financiamento de campanhas, para encher o bolso de políticos e bancar lunáticos projetos de poder que fazem do país o que fizeram agora, como estamos vendo. E não adianta entrar quem quer que seja, nós seremos sempre esfolados por esse sistema que apenas nos tira sem nos dar nada de volta. Estabeleceu-se que somos nós, trouxas, é que devemos pagar a conta e pronto! Pagar o roubo dos outros com CPMF, com aumento de impostos, de preços, de inflação. É como o marido que chega em casa e diz pra mulher: “Querida, gastei nosso patrimônio com prostitutas, bebida e jogo. Agora tire as crianças do colégio, mande a empregada embora, suspenda o cabeleireiro e pare de fazer compras. Precisamos economizar!”. O marido é o governo. Nós somos a trouxa da esposa!

É meus amigos, a gente até tem a ferramenta certa pra mudar tudo, mas não temos a coragem. O voto seria a arma mas, infelizmente, muitos de nós vão trocá-lo por migalhas – uma conta de luz, um punhado de telhas, uma dentadura ou um par de sapatos. E por isso nem podemos reclamar do que estão fazendo com o nosso país. Afinal fomos nós que os colocamos ali!

Estamos vivendo mais um momento emblemático da nossa história e devemos aprender com ele, acreditar que se deixarmos velhos vícios pra trás temos a chance de mudar algo. Precisamos aprender a escolher quem nos governa, sem nos vender, sem aceitar migalhas, brigando contra aquilo que está ruim e lutando pela melhora. Tá na mão da gente! O dia em que tivermos a real consciência disso, vamos mandar os maus políticos pro inferno e poder até mudar o mundo! Pense nisso antes de colocar no poder alguém que você vai querer tirar depois.