Honestidade é uma das qualidades, na minha opinião, que mais definem o ser humano. Na verdade, que mais nos qualificam. Acredito que sendo honestas as pessoas estão bem acima da média de qualidade do caráter humano. Podem até ter outros defeitos como arrogância, prepotência, egoísmo, soberba, mas se tem honestidade são sinceras, transparentes e objetivas.

Se bem que conheci pessoas altamente honestas que pouco ou quase nada tem desses defeitos. Parece que é uma qualidade que se sobrepõe a vários deles, permitindo que a convivência com estas pessoas seja muito mais agradável. A pessoa quando é honesta, o é em suas atitudes e sentimentos. Quem é honesto não mente, não engana, não quer levar vantagem, admite suas fraquezas, perdoa mais facilmente e, invariavelmente, tende a ajudar mais as pessoas.

Outro dia assisti a um vídeo que deveria servir de exemplo para aqueles que acham que honestidade é sinônimo de ingenuidade, para os que pensam que ser honesto é ser bobo, ser fraco, ser babaca. O video mostra um teste. Um rapaz deixa cair uma carteira no chão e grava a reação das pessoas ao encontrá-la. Alguns veem e, imediatamente, avisam o rapaz que retorna e pega a carteira de volta. Mas um jovem negro, de boné e roupas largas, “aparentemente” mal-intencionado, é o que mais surpreende no vídeo. Assistam e reflitam.

O vídeo mostra bem o quanto julgamos pelas aparências. Acredito que muitos de nós imaginavam que o jovem estava usando os cartões do dono da carteira para fazer compras, pelo simples fato dele ser negro e ter a aparência de um delinquente americano. Muitos de nós não acreditavam que ele faria o que fez porque não acreditam na honestidade, não acreditam que possam existir pessoas assim. E quer saber? Quem pensa assim é racista, preconceituoso e vil, não dá a mínima para o significado de ser honesto.

E não é fácil sê-lo. Os exemplos estão por todos os lados, a começar pelas maiores instâncias do nosso país – nossos políticos e o governo. Diariamente, quem está no poder, dá mostras de que honestidade é uma qualidade pra se jogar no lixo. Roubam, pilham, mentem, desprezam, coagem, chantageiam e oprimem a quem quer que seja, na ânsia de realizar seus nefastos projetos. O que sobre dessa lição para o povo? Que se pode fazer a mesma coisa, cabendo à consciência de cada um adotar o que é certo ou o que é errado. E o que é mais lamentável é que o errado tem imperado. As pessoas se tornaram corruptíveis, a competição humana joga uns contras os outros, uns querendo se dar melhor que o outro. E não importam os meios, apenas os fins.

Vou dar exemplos clássicos disso: bastou tornarem os extintores do tipo ABC obrigatórios nos carros para as indústrias e lojas passarem a cobrar preços exorbitantes por eles. Subiu o custo da matéria prima, da mão de obra, dos impostos sobre o dispositivo? Não! Foi um simples oportunismo pra sugar quem precisava deles. Por sorte o feitiço virou contra o feiticeiro e a “desobrigatoriedade”, agora, está até fechando as portas dos oportunistas. Outro exemplo: acompanhei de perto a inundação em Santa Catarina em 2008 e na falta de água potável nas cidades atingidas, vi gente vendendo água de torneira para quem precisava, em vez de doá-la. Um botijão de gás que custava 30 reais na época, passou a ser cobrado não menos que 150 reais. Desonesto, ultrajante e lamentável! Honestidade pra essa gente, pro governo e pros políticos é um sentimento desconhecido e desprezível.

Uma coisa que aprendi na minha vida inteira é que honestidade demais pode até não te levar longe, mas vai te levar pro lugar certo. O lugar de quem apenas quer o bem, a justiça, a solidariedade, quer uma humanidade mais correta. E qualquer atitude digna, como a do menino do vídeo acima, nos dá uma sensação de bem estar tão grande que é impossível não desejá-la sempre. Ja dizia Nelson Mandela: “A prioridade é sermos honestos conosco. Nunca poderemos ter um impacto na sociedade se não nos mudarmos primeiro. Os grandes pacificados são todos de grande integridade e honestidade, mas de humildade também.”

Honestidade é para poucos, muito poucos. É para quem ainda acredita que há uma saída, há uma solução, há conserto pra tudo de errado que tem aparecido por aí e não se acovarda diante das adversidades. Honestidade não se compra e não tem preço, mas você pode adquiri-la gratuitamente se for digno de usá-la bem.

“A vantagem de ser honesto nos dias de hoje é que a concorrência é pequena! É fazer o certo mesmo que ninguém esteja olhando!”