E ai… vai do que?

Taxistas do Brasil todo, principalmente do Rio e São Paulo, estão numa chiadeira danada por causa do tal do Uber, o serviço que oferece transporte com  motorista, como se fosse particular. Para contratar é só instalar um aplicativo que, assim como o dos taxis, localiza um carro mais próximo e o encaminha ao cliente. Além da diferença nos carros – geralmente de cor preta e modelos mais sofisticados – o preço também é razoável e como cobra uma tarifa pré-estabelecida antes da corrida, o cliente já fica sabendo quanto vai pagar pra chegar ao destino. Em muitos casos, acaba-se gastando menos que num Taxi.

Até aí nada diferente dos serviços de motoristas que já existiam no país, principalmente nos grandes centros, a não ser pelo aplicativo de chamada, semelhante ao dos Taxis. E foi aí que os taxistas se incomodaram, alegando que o Uber é uma concorrência desleal. De uma certa forma é!

É desleal porque para ser um taxista, os motoristas tem de conseguir um alvará especial, habilitação específica, pagar altas taxas e ter a concessão da prefeitura. Como em São Paulo as novas concessões estão suspensas, para conseguir um alvará, só comprando de outro taxista e aí o negócio beira o absurdo podendo custar até 150 mil reais. Já para ser motorista do Uber você precisa apenas ter habilitação para transporte de passageiros, um carro de alto padrão e não ter antecedentes criminais – condições para ser um motorista cadastrado.

Mas não é ilegal já que a contratação de motoristas com carros particulares já acontece há muitos anos no Brasil e é permitida. Porque então a chiadeira?

Bom, todos sabemos que o negócio de Taxis é bastante rentável e ninguém quer perder a boquinha. No Brasil é um serviço muito caro e em cidades sem um transporte público decente, se torna a única alternativa viável para o ir e vir. Deixar surgir um serviço que possa competir de igual pra igual, com melhor padrão e preços iguais, seria como os leões deixarem as hienas se alimentarem da mesma presa, sem que elas tenham participado da caça.

Na verdade, o maior problema está na forma como a situação está sendo conduzida. Querem permitir um serviço de transportes que seja eficiente? Então cobrem dele as mesmas exigências e taxas que se cobram dos taxistas! Aí, não haverá nada de errado e os dois serviços poderão co-existir sem confrontos. O que não pode acontecer é o que sempre acontece no país: proibir algo que pode ser bom para o consumidor que deseja transitar pela cidade com mais conforto, mesmo que pagando mais um pouco. Tem de ser uma opção do cliente e não imposição de uma categoria. Na minha opinião, o cabe aqui é a regulamentação e não a proibição do serviço.

Parecendo piada pronta ou não, todas as vezes que os taxistas paralisaram as atividades e fizeram manifestações contra o aplicativo, o Uber decidiu fazer viagens “de graça” para quem usasse o serviço. Além do mais, sempre que a polêmica esquenta aumenta o número de downloads do programa.

Pra mim há dois problemas sérios nessa questão: o primeiro, de uma categoria querer proibir a atuação de concorrentes num país onde existe democracia, apelando para liminares que impeçam o serviço de funcionar. O segundo é um serviço de transporte querer funcionar sem nenhuma regulamentação e sem obedecer às regras do setor. E no meio desse tiroteio ficamos nós, os maiores interessados nessa questão, que podemos ser penalizados com qualquer decisão inadequada que seja tomada. O que não pode acontecer e ficarmos sem opção, sem alternativa, e reféns de um meio de transporte que hoje já nos penaliza pelo que custa.