Que o trânsito de São Paulo é um caos, todo mundo sabe! Que é um dos mais perigosos do mundo, idem! E que os motociclistas (motoboys, principalmente) são os que mais aterrorizam a todos, isso também não é nenhuma novidade. Mas esse terror todo que eles causam no trânsito do dia-a-dia tem um preço alto a pagar: apesar dos acidentes de carro ainda fazerem mais vítimas (54%), são eles, os motoqueiros, que se estrepam mais.

Sete em cada dez motoqueiros que se acidentam vão parar no hospital.

O estudo é do Instituto de Ortopedia do Hospital das Clínicas de São Paulo e aponta que de cada dez motociclistas que vão ao chão, sete (71,3%), obrigatoriamente, vão parar nas internações dos hospitais com sérias fraturas. Ou seja, eles não escapam de passar meses, até mais de um ano em alguns casos, com os membros inferiores engessados, parafusados, pinados e submetidos a várias cirurgias. Isso quando não é necessária alguma imputação.

E não é para menos, ao contrário do carro que sofre o primeiro impacto na carroceria, na moto o parachoques é o corpo humano.

Estive hoje com o Edinaldo, motoboy há mais de cinco anos, acostumado com o trânsito de São Paulo. Ele sofreu um acidente no último dia 20 de abril. Foi “atropelado” por um ônibus porque teve de invadir a faixa exclusiva para escapar de bater em outra moto. O saldo? A perna direita quebrou em tres partes, duas delas com fratura externa. Edinaldo vai ter de ficar, pelo menos, 6 meses sem poder andar de moto novamente. E já não pensa mais em voltar. Ficou traumatizado!

Apesar deste cenário alarmante para os motociclistas, o número de vítimas de acidentes de moto vem caindo nos ultimos quatro anos e já é quase a metade do que foi registrado em 2011. O motivo pode sex explicado pela redução dos limites de velocidade em várias vias de São Paulo, a colocação de novos radares e alguma outra coisa mais que não foi explicada.

Agora, independente das estatísticas, o que percebemos é que a causa de tudo isso está fundamentada em duas coisas, na minha opinião: imprudência e falta de educação. Todos nós sabemos, e eles próprios admitem, que há abusos de quem pilota uma moto no trânsito paulistano. Limite de velocidade e faixa definida, pra eles, não existem. Mas os motoristas também não cooperam, cruzando faixas sem olhar pelo retrovisor, desrespeitando quem está sobre duas rodas e brigando por um espaço nas ruas como se fosse de sua propriedade. Não é possível uma convivência como essa dar certo, por isso estatísticas desse tipo.

Mas há outro fator que considero da mais alta importância nesse cenário: a maioria das pessoas que compram motocicletas e tiram habilitação (quando tiram), não está preparada para pilotá-las. Elas estão preocupadas apenas em sair do sufoco que é enfrentar o transporte público diariamente – este sim ineficiente e superlotado. Com motociclos que custam a partir de 2.500 reais, pagando-se uma prestação de pouco mais de 200 reais por mês é possível ter uma moto gastando menos do que se gasta com o transporte. E assim chegar mais rápido ao destino.

É uma questão muito mais cultural. Enquanto não aprendermos a simplificar nossas vidas, usando os meios de mobilidade que temos à nossa disposição de maneira racional, muitos Edinaldos ainda vão se estrepar no trânsito, perder a moto e continuar pagando as prestações até acabar o financiamento.