Andei sumido daqui, eu admito. Tantos assuntos para comentar, notícias para analisar, situações que eu poderia expor aqui para trocar idéia com meus leitores e eu nada fiz. Muitas vezes nós jornalistas – eu principalmente – somos tomados por uma letargia criativa, uma apatia intelectual que faz com que nada do que pensamos em escrever seja interessante a nossos leitores. Talvez até pudesse ser, mas no meu caso eu não me senti motivado a por nada no blog.

Junto a esse buraco temporal de criatividade e lucidez, eu estava voltado a problemas pessoais que me fizeram focar as forças, exclusivamente, neles, o que acabou minando minha vontade de escrever ou debater sobre qualquer outra coisa. E quero aproveitar o que enfrentei para tratar de uma outra questão: os sinais!

Ao chegar à chamada meia idade (hoje aos 50 anos), acabei amadurecendo para os “toques” que Deus nos dá sempre que alguma coisa está para dar errado ou certo. Me perdoe você que não acredita em Deus, mas eu acredito que há uma força maior que ordena essa coisa chamada de universo – uma energia que rege nossas vidas fazendo com que as coisas não aconteçam por acaso. Chamo também de fé, de religiosidade ou simplesmente “Deus”, assim como milhares de pessoas.

Esses toques aos quais me refiro, que prefiro chamar de sinais, são avisos que prenunciam algo, ou de bom ou de ruim. Recentemente vivi uma situação bem clara sobre isso e acabei tendo uma tremenda dor de cabeça por não ter prestado atenção a esses sinais. E o mais engraçado é que eles vieram em escala crescente de consequências. Eu explico melhor: o primeiro foi mais brando, como se quisesse me dizer “cuidado, não vá por ai”. O segundo soou como uma pancada maior tipo “estou te avisando, vá com calma”. O terceiro foi mais profundo, com perdas maiores, até que o quarto sinal me disse “Eu não te avisei pra não se meter com isso? Agora toma!”.

Antes que muitos de vocês imaginem o pior, foi um negócio mal-sucedido. Algo em que eu não deveria ter investido e me fez perder um bom dinheiro. Graças a Deus, nada relacionado à minha saúde, família ou profissão, que estão muito bem.Foi algo também do qual será fácil me recuperar. Mas divido esta experiência com vocês, por mais insignificante que seja para muitos, porque esses tipos de sinais podem vir em qualquer momento das nossas vidas, a respeito de qualquer assunto em que estamos nos metendo e que, se não percebidos, podem causar estragos bem maiores.

Queda helicóptero: um simples “sinal” pode ter salvado a vida de um mecânico.

Já acompanhei casos em que bastou apenas um sinal para que alguém escapasse de uma tragédia, por exemplo. Posso citar aqui o que aconteceu recentemente na queda do helicóptero que vitimou o filho do governador de São Paulo Geraldo Alckmin e outras quatro pessoas. Quase ninguém sabe disso pois não foi noticiado. Mas fontes do hangar de onde partiu o helicóptero afirmam que, antes dele levantar voo, havia um quarto mecânico que iria estar na aeronave na hora da queda. Mas pouco antes de levantar voo, ele recebeu uma ligação (comenta-se que da escola da filha) e teve de ficar no hangar. Foi quando o piloto chamou o filho do governador para embarcar. Aquela ligação, pra mim, foi um sinal de que não era para o mecânico estar no helicóptero.

O que dizer então do brasileiro que, de última hora, trocou a passagem do voo que caiu nos alpes franceses semanas atrás?

Eu não brinco com sinais e aprendi a entendê-los e respeitá-los. E lhes confesso que ser um pouco supersticioso já me tirou de algumas enrascadas. Pura sorte? Casualidade? Ou será que alguns eventos mandam recado antes de acontecerem? Eu é que não vou pagar pra ver!