Cajuru: lembranças e reencontros inesquecíveis

Há poucas coisas tão gratificantes nessa vida como rever velhos amigos. Na verdade, amigos antigos que, ao reencontrá-los, temos a certeza de que nunca deixaram de ser amigos, independentemente do que tempo que estão afastados ou distantes. E não importa se eram muito ou pouco próximos, são pessoas que fizeram parte de momentos importantes que ficarão registrados para sempre. Esses reencontros me trazem de volta, imediatamente, lembranças incríveis da minha vida, da minha infância, da minha adolescência. E a gente percebe isso pelo carinho com que é tratado.

Tenho muito isso na cidade de Cajuru, próxima a Ribeirão Preto. Um lugar delicioso onde vivi durante toda a minha infância e adolescência. Quando meus pais se mudaram para lá eu tinha 9 anos de idade, mas já frequentava a cidade e tinha amigos desde que nasci. O primeiro “Velotrol”, a primeira bicicleta, a primeira namorada, a primeira briga de rua, a turma do colégio… tudo aconteceu ali. Inclusive fatos não tão agradáveis, como a morte de meu pai.

Dias atrás, depois de um tempo distante, estive por lá de novo. É incrível a sensação de andar pela cidade na esperança de rever alguém conhecido, uma feição familiar, um amigo do qual mal me lembrava. Pareço uma criança revirando o baú de coisas antigas e preciosas. Muitas vezes vejo apenas um rosto distantemente familiar. Mas por força da minha profissão, acabo sendo reconhecido e lembrado como aquele menino que desbravava as ruas de paralelepípedo da cidade.

Entre esses reencontros casuais, quando estive por lá, agora, tive o prazer de topar com três grandes amigos. Téio, Eugênio e Júnior faziam sua caminhada matinal quando passaram por um bando de malucos fantasiados de ciclistas, saindo para fazer trilha na redondeza. Eu e meu irmão éramos dois desses malucos. Foi um encontro rápido onde pude sentir o carinho e a proximidade daquelas pessoas que não via há tantos anos. E é esse tipo de presente que me faz voltar a Cajuru sempre.

Tive outro encontro fortuito com outro grande amigo, na praça onde sempre estávamos nos fins de noite, após os bailinhos no clube. Robertinho Menta, igualmente carinhoso, parou o carro, desceu, me cumprimentou e, de repente, estávamos nós ali relembrando bons momentos. Um pouco depois, mais uma passadinha em outro lugar e novos reencontros. Momentos que me fazem sentir de novo aromas de uma época que não volta mais, mas não vai embora jamais das minhas memórias.

O coreto: palco de tantas paqueras e namoros.

E tenho esse carinho especial por Cajuru até hoje exatamente por causa desse carinho. Os mais novos me falam de seus pais, meus antigos colegas. Os mais velhos lembram com saudosismo do meu pai, um benemérito da cidade. Os da mesma geração que eu, mesmo que eu não os reconheça, sempre lembram de momentos que passamos no ginásio, nos passeios de bicicleta pela praça, das tardes de sol no clube Recanto da Amizade, que carinhosamente chamávamos de “piscina de baixo”. Muitas vezes é difícil reconhecer rostos depois de tanto tempo. Mas basta um nome, um sobrenome, um apelido, pra entender como sabem tanto de você.

Cada esquina tem uma história, cada casa lembra uma situação, cada árvore da praça guarda um nome rabiscado ao lado de outro de quem se gostava. As paixões dali jamais serão esquecidas, mesmo aquelas não correspondidas, apenas respondidas em forma de cartas que demoravam a chegar. O amor por uma garota que durou mais de uma década, o peso na consciência por ter ferido alguém numa briguinha de rua e a lembrança da dor de um tombo ao pular um muro qualquer. Os doces caseiros feitos pela tia, os fins de semana na fazenda, os passeios a cavalo e os banhos de cachoeira… tudo isso vem à tona e reconstrói um passado que jamais desejamos esquecer.

Durante um passeio em Cajuru, outros tantos reencontros com amigos queridos.

Hoje ainda mantenho amizade próxima com muitos com quem convivi ali na infância. Alguns até viraram “parentes”. Parte da minha família ainda está por lá e sinto por não ter tempo de passar por ali mais vezes. Mas o que me conforta é que sempre serei bem vindo em Cajuru. E as pessoas dali sempre serão bem vindas ao meu coração. Obrigado aos amigos e à cidade por terem me ajudado a me tornar o que sou! Tenho orgulho de olhar um banco da praça e ver o nome do meu pai ali, embaixo do da “firma” dele.

Reencontrar velhos amigos sempre nos permite manter viva a parte da nossa história que, as vezes, as circunstâncias tentam apagar. Para mim, jamais!