“Caramba, Thiago… e eles nem queriam humilhar a gente!”

É Brasil, não foi dessa vez. Mas também não foi da última, em 2010. Nem da penúltima, em 2006. Pois é, acho que ninguém lembrava que o nosso penta já completa doze anos! Talvez seja por isso que queríamos tanto essa taça, justamente por ser no nosso quintal. Imagina um time paulista ficar doze anos sem título! É a desgraça do clube para o deleite dos adversários.

Mas de quatro em quatro anos dói menos. Ou parece que dói menos. Garanto que até mesmo para aqueles que desdenharam a Copa desde o início, doeu. Como para mim, por exemplo. No começo eu não estava muito empolgado. Talvez por prestar mais atenção na farra com o dinheiro público na construção dos estádios e nos arranjos nefastos da Fifa e da CBF. Mas como percebi que não adiantava esbravejar com a bola rolando, cedi a tentação de torcer um pouco.

De uma certa forma, não por empolgação própria, mas contagiado por amigos, pelas pessoas nas ruas, pelos torcedores que entrevistei por aí e por essa paixão desenfreada que o brasileiro tem pelo futebol. Me incomodei com os empates, sofri nos pênaltis e sorri com as fracas vitórias. Mas sorri, fazendo meu papel de patriota, na mesma proporção em que brado contra as mazelas públicas. Afinal sou brasileiro e pensei: “Porque não torcer pela seleção já que faço isso por mudanças no país?”.

Mas minha empolgação não foi muito longe. Já tinha arrefecido com o empate contra o México e as tímidas vitórias sobre as pobres Croácia e Camarões. E esfriou de vez com a disputa nos pênaltis contra o Chile. Eu já não esperava muito contra a Colômbia, mas positivamente acertei o bolão. E quando vieram os 3 primeiros gols alemães em menos de vinte e quatro minutos de jogo, eu já começava a me despedir do mundial como torcedor.

Para a minha sorte, não sofri nem chorei como muitos. Mas senti por eles. Fiquei envergonhado no lugar daqueles que estavam lá, na arquibancada do Mineirão nesse fatídico “8” de julho. E, por coincidência, 7 + 1 = 8. Oito do 07 (julho). E quase deu 8. Mas aí já é assunto para o resto do ano dos numerólogos. Imagina se fosse em Agosto!

Essa pode ter sido ou não a Copa das Copas. A imprensa internacional diz que sim. A nossa diz que nem tanto assim. Pelo menos o “imagina na copa” dos pessimistas não vingou. Passagem de avião tava um absurdo de cara. Diária de hotel então, nem se fala. O hot-dog dobrou de preço e tentaram até me vender cerveja “itaipava” por 6 reais a latinha, na Vila Madalena, achando que eu era estrangeiro. Mas ninguém ligou. Até mesmo as manifestações do “contra a copa” foram pífias. Claro, tinham de terminar antes do jogo começar!

Enfim, esta copa, para muitos, passará despercebida. Talvez seja lembrada apenas pela “chocolatada alemã”. Ou esquecida. E olha que eles não queriam nos humilhar, como disseram à imprensa. Imagina se quisessem!

Mas uma coisa é certa: na próxima a taça é nossa. Não haverá estádios para construir nem infraestrutura para prometer. E Felipão também não vai estar lá. Neymar já estará melhor da coluna e Fred talvez tenha aprendido algo sobre estar em campo de verdade. Até lá David Luis tenha cortado o cabelo e Julio César… ah, que ele continue sendo o mesmo Julio César. E que a Alemanha cumpra a promessa: que realmente não queira nos humilhar em campo. De verdade!

Se for assim, imagina na próxima Copa!