É pessoal, VAI TER COPA SIM!. Não sei se felizmente ou infelizmente. E por mais que os negativistas e contrários reclamem, é bem capaz de dar tudo certo. Porque vão fazer de tudo pra dar certo. Até mesmo, varrer pra debaixo do tapete o que der errado. É claro que não faltarão as manifestações, as passeatas, os protestos e as tentativas de atrapalhar o acesso ao Itaquerão, em São Paulo, e aos outros estádios Brasil afora. Mas o evento é uma realidade e vai rolar, muita gente querendo ou não.

Já critiquei o evento aqui nos meus artigos, mas como sou realista, vi que não adianta espernear. Mas o que critiquei não foi sua realização em si e sim a forma como tudo foi feito. Houve gastança exagerada, atrasos, desvio de prioridades, esquemas políticos e “cartoleiros”, autoridades e celebridades querendo tirar sua casquinha a qualquer custo, etc. De que adianta agora berrar na porta do estádio, minutos antes do jogo começar? Acho que a gritaria deveria ter começado lá atrás, em 2007, quando o país foi eleito sede do mundial.

O jeito agora é deixar a bola rolar. Confesso que estou sem vontade nenhuma de prestigiar a audiência dos jogos por causa da barbárie que promoveram para que a Copa fosse realizada aqui, mas também não vou ficar puxando o fio da tomada dos televisores por aí numa revolta sem fim. Como sei que vou trabalhar muito durante o evento, vou enxergá-lo mais como uma obrigação do que um momento patriótico.

O que me incomoda nisso tudo é a maneira, muitas vezes “canalha” de alguns grupos quererem usar o evento para defender seus interesses particulares, como no caso dos grevistas. Sim, todos merecem reivindicar, brigar por melhores salários e condições de trabalho – direito previsto na constituição –  mas o que estamos vendo, pelo menos em São Paulo, é de dar nojo.

Falo principalmente dos metroviários que poderiam, inteligentemente, contabilizar a greve a seu favor se a soubessem fazer. O que vemos hoje é a população inteira da maior capital do país revoltada com a paralisação. Assim como estiveram com a greve dos ônibus. Em países desenvolvidos (e nós estamos muito longe disso), as catracas do Metrô seriam abertas diariamente, permitindo o vai-e-vem gratuito de milhões de pessoas. Prejuízo para o governo e apoio da população. Mas aqui, como a maioria das greve, ferra-se o povo e não as empresas e patrões.

E a canalhice se tornar ainda maior à beira do maior evento futebolístico do mundo. Não sou só eu que digo isso: o Tribunal Regional do Trabalho de São Paulo que acabou de considerar a greve abusiva e aplicou multa de 500 mil reais por dia ao sindicato da categoria é quem chancela a situação. Parece birra de criança, coisa de garoto que leva a bola embora se não jogar na linha, gente que derruba o tabuleiro de dama quando está perdendo. É como os funcionários da Infraero que ameaçam paralisação todos os anos, sempre às vésperas de Natal e Ano Novo deixando passageiros em polvorosa.

No Brasil os movimentos grevistas, patrocinados por sindicatos que, muitas vezes, não tem o apoio integral de sua categoria (como vimos recentemente no caso dos ônibus) tem a equivocada orientação de jogar o ônus das reivindicações sobre o lombo da população mais sofrida. É assim quando se param os ônibus, o metrô, é assim quando se suspendem as aulas, o atendimento médico ou o policiamento nas ruas. Todo o reflexo recai diretamente sobre nossas cabeças, mais especificamente sobre aqueles que carecem diretamente desse tipo de serviço. E são estratégias que não angariam o apoio popular. Ao contrário, são medidas que ferem o direito da maioria, gerando antipatia e revolta.

A essa altura vocês devem estar se perguntando o que essa história de greves tem a ver com a Copa? Eu explico: meu temor é que estejam querendo arranjar mais para se por a culpa caso não dê nada certo. Se não tiver jogo no Itaquerão (inacabado ainda), “Ah, culpa da greve no Metrô!” O que estou querendo dizer é que, VAI TER COPA SIM, e se alguma coisa der errado, podem ter certeza de que vão jogar a culpa longe daqueles que realmente merecerão ser punidos pelo estrago. A culpa vai ser de quem fizer greve, de quem fizer protesto, de quem fizer manifestação. Menos de quem superfaturou obras de estádios, de quem os inaugurou sem estarem prontos, de quem não cumpriu a agenda de obras viárias e passou longe do que prometeu para sediar os jogos.

Enfim, meus amigos, VAI TER COPA SIM! Mas o que vai ter de bode expiatório pra levar a culpa caso seja um fiasco, disso eu não tenho dúvidas. E acho que a melhor manifestação que se pode fazer contra tudo o que aconteceu até chegarmos aqui é nas urnas, em outubro, banindo da face da terra os calhordas que estão lucrando com o momento.

Agora só pra coçar a cabeça de vocês: o Carnaval é um dos maiores eventos do mundo onde a bandalheira rola solta. Escolas de Samba são patrocinadas por bicheiros e traficantes, o Governo gasta uma fortuna com a realização dos desfiles, é o período onde a criminalidade aumenta, o consumo de álcool e drogas cresce vertiginosamente, os acidentes nas ruas e estradas se multiplicam… e ninguém nunca vai gritar NÃO VAI TER CARNAVAL?