Minha paixão pela bike não é recente. Vem de, pelo menos, 25 anos atrás, quando comecei a pedalar com amigos em Campo Grande, Mato Grosso do Sul, onde eu morei por vinte anos. Naquela época (lá pelo início dos anos 90) cheguei a me viciar – eram cerca de 35 km por dia que eu percorria pela Avenida Afonso Pena, em toda a sua extensão. E não importava se fazia sol, frio ou estava chovendo, lá estava no meu compromisso diário.

Em 2006 acabei deixando Campo Grande por força da minha profissão e fui parar em Florianopolis. E a mesma bike que me transportava 15 anos antes continuou minha parceira nas pedaladas à beira mar. Mas essa rotina, quase que diária, durou até o início de dois mil e nove. Quando vim para a Record São Paulo nessa época, acabei abandonando minha parceira de duas rodas pendurada num gancho na garagem do meu prédio. E lá ela ficou por exatos 3 anos, completamente imóvel, servindo de apoio para toda a sujeira e fuligem que pudesse acumular. O trânsito caótico da cidade, a falta de ciclovias e de tempo me empurravam para longe dela, cada vez mais.

Trilhas com amigos: para espantar o estresse da semana.

Foi aí que no final de 2011 recebi a notícia que me tiraria do sedentarismo e, por consequência, me reaproximaria da minha companheira de tantos anos. Meu irmão, com problemas renais, precisaria de um transplante. Sem pestanejar me ofereci como doador e enquanto fazíamos os exames para confirmar nossa compatibilidade, resolvi voltar a pedalar. E desta vez com muito mais vontade. Não por recomendação médica. Mas como eu estava um pouco acima do peso e com as taxas de colesterol e açúcar elevadas, resolvi me preparar melhor para enfrentar a cirurgia e o pós-operatório.

Resolvi então dar uma bela reformada naquela companheira já desgastada pelo tempo (mais de 20 anos de existência) e recomecei a pedalar com a vontade de quem faz isso pela primeira vez. Me empolguei tanto que acabei comprando outra bike e a alternava com a antiga, dependendo do propósito – se pedalava na cidade ou nas trilhas de terra.

Daí pra frente nunca mais parei. Hoje estou 19 quilos abaixo do que estava antes da cirurgia de doação do rim (feita em setembro de 2012) e com a vitalidade de quem tem 19 anos a menos (hoje estou beirando os 50). Tenho 3 belas bikes na garagem e minha antiga companheira está a venda. Mas confesso que torço para que não apareça nenhum comprador pois tenho um plano de remodelação dela. Apego sentimental! Pedalo entre 20 a 25 km por dia e sempre me reúno com amigos para fazer trilhas de fim-de-semana. Estou novamente viciado, mas rejeito qualquer tratamento contra isso.

Conquista de bem-estar e vida saudável proporcionada pela bike.

A bike faz parte dessa minha história de doação de um órgão para o meu irmão. Afinal foi ela que me ajudou a me preparar para enfrentar todo o processo. E de doação de tempo para a minha saúde. Perdi peso, ganhei uma vida muito mais prazerosa, dei um chega pra lá no estresse e retomei uma atividade maravilhosa que nunca deveria ter abandonado. Sem falar nas taxas de bom humor que subiram consideravelmente.

E o melhor de tudo: meu irmão que era um sedentário, de quase não sair do sofá a não ser para trabalhar, também se viciou nas pedaladas. Já chegamos a pedalar juntos em alguns momentos e pedalaríamos mais se não fosse a distância, por morarmos em cidades diferentes. Acho que o contaminei com o rim que doei pra ele. Com certeza, o órgão carregava esse vírus tão energizante e saudável que nos faz querer, cada vez mais, viver sobre duas rodas.

O mano (de camisa vermelha), viciado no pedal depois de receber um rim novo.

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