Todo começo de um novo ano as histórias se repetem. Vejo – na TV, nos jornais, nas ruas, entre os amigos e até no meu trabalho – uma enxurrada de promessas, novas resoluções e decisões que as pessoas pretendem colocar em prática no ano que se inicia. E a pergunta que me faço todas as vezes é: PRA QUE ESPERAR A VIRADA DE UM ANO NOVO PARA FAZER PLANOS?

Eu sinceramente não consigo entender essa coisa de aguardar uma data específica para “começar do zero”. Me soa como comodismo. É como dizer que só vai iniciar o regime na segunda-feira. Ou a academia! Sei que o brasileiro é bastante supersticioso, mas não vejo por onde, a virada do ano muda alguma coisa nas decisões. Inclusive, o que mais vejo é que essas resoluções de ano novo quase nunca se concretizam para a maioria das pessoas. E porque elas, na verdade, nunca foram colocadas em prática.

E o que acontece? Vejo muita frustração por não se ter conseguido isso ou aquilo. Aí espera-se o ano inteiro ir embora, pra tentar de novo.

Acredito que o que falta nas pessoas é um pouco mais de iniciativa e menos devaneio.

Para mudar algo em nossas vidas, não há a necessidade de aguardar “um novo tempo”. Basta você decidir em que momento isso deve acontecer. Por exemplo: porque esperou janeiro de 2014 chegar para entrar para a academia? Porque não fez isso no dia 20 de dezembro? Ah tá, lá vem a enxurrada de desculpas: férias, viagens, a correria das compras, a chegada dos parentes, blá, blá blá. Você já parou para pensar que esse seria o momento ideal para retomar os exercícios físicos devido a quantidade de calorias que ingerimos nessa época do ano? Não pensou, né?

É claro que existem coisas que não dependem da nossa vontade. Voltar para as aulas de inglês é outro exemplo. Nesse caso, a gente depende das escolas de línguas estarem funcionando. E nessa época é realmente difícil. Mas percebo que as promessas dependem muito mais de uma atitude do que de disponibilidade. Muito mais de vontade própria do que de “funcionamento” das coisas.

Muita gente espera o ano virar para perdoar alguém, para fazer um ato de caridade, para retomar aquela amizade desfeita por uma briguinha qualquer ou para tomar decisões que podem mudar suas vidas. Aí, ao queimar dos fogos do Reveillon, ajoelha e reza, cai no mar, acende velas, coloca sementes de Romã na carteira, come lentilha, pula sete ondas, veste branco ou compra uma batelada de badulaques místicos que vão “ajudar” nas promessas. E o que acontece? Nada! E o que acontece depois? Frustração!

Sempre segui o ditado “Não deixe para amanhã o que você pode fazer hoje” e acredito que seja bem apropriado para essa tradição da virada. O que se deseja tem de ser imediato, sem delongas, sem adiamentos. Muitas vezes o resultado pode ser bem mais satisfatório. Fazer as pazes com alguém, por exemplo, não seria muito melhor antes do ano novo do que depois? Pelo menos você teria mais um(a) amigo(a) para festejar.

Como eu disse num artigo anterior, a gente se preocupa muito com o futuro mas se esquece de viver o presente. E ao adiar certas coisas podemos perder a chance de resolvê-la depois. Principalmente porque não podemos estar mais por aqui.

Então, se você espera passar o Carnaval (quando o ano realmente começa) para adotar um novo comportamento, saiba que pode ser tarde demais. E lembre-se que há apenas dois dias das nossas vidas com os quais não devemos nos preocupar: o ontem e o amanhã! O ontem passou, já foi. O amanhã será sempre um novo dia. Agora o que mudará seu futuro e te ajudará a construir um passado é o que você faz hoje!