Marcelo Pesseghini teria mesmo um lado sombrio e desconhecido?

Está cada vez mais difícil acreditar que não tenha sido o garoto que matou a família e se matou. Isso devido às evidências que a polícia tem apurado e nós da imprensa temos conseguido através de vazamentos isolados de informação. Mesmo assim, em razão de outras denúncias que cercam o caso, ainda me mantenho incrédulo quanto a autoria dos assassinatos. Vejam abaixo o que, segundo a polícia, favorece a autoria por parte do garoto:

– Segundo testemunhas ouvidas até agora, Marcelinho teria mudado de comportamento, pelo menos quinze dias antes dos assassinatos, e teria confidenciado que queria matar os pais a, pelo menos, quatro colegas da escola que já prestaram depoimento.

– Um dos amigos mais próximos dele disse que, no domingo antes das mortes, Marcelo ligou para ele do telefone fixo de casa e disse que iria matar a família. Marcelo também chegou a convidá-lo para fugir com ele depois do crime. No dia seguinte, ao assistir ao noticiário, o colega teve uma crise nervosa ao ver que ele tinha feito o que havia prometido ao telefone.

– Ainda segundo os depoimentos, uma vizinha disse à polícia que via Marcelinho constantemente na calçada de casa com uma arma de brinquedo, apontando para tudo e pra todos.

– Segundo a polícia, 15 dias antes do crime, ele passou a dizer aos amigos que queria matar os pais, fugir e se tornar um matador de aluguel.

– Um parente também teria dito que, durante um encontro da família, Marcelinho teria pego a arma do pai ficava apontando para todos que estavam presentes. Além disso, em outra ocasião, ao ouvir a campainha, o garoto teria pego a arma e dito “se for intruso, eu vou matar”.

Tudo isso parece confirmar o que a polícia vem sustentando desde o início: que foi o garoto o autor dos disparos. Mas há outras denúncias paralelas que poderiam sugerir o contrário e até colocar na cena do crime, talvez como mentoras, outras pessoas. Vejam só:

– A mãe de Marcelo, a Cabo Andréia Bovo, teria denunciado colegas de corporação que a teriam convidado para participar de roubos a caixas eletrônicos. Poderíamos aqui pensar em vingança. Curiosamente o Comandante do batalhão da Cabo, que confirmou essa “colaboração” dela, desmentiu tudo no dia seguinte e foi afastado do cargo.

– A polícia não descarta a hipótese de que ambos, pai e mãe do menino, tinham relações extra-conjugais. Aqui se encaixaria o crime passional.

– Causa estranheza o menino ter pego o carro da mãe, depois de supostamente matar a todos, ir pra escola e voltar pra casa.

– Quem seriam as duas pessoas (supostamente um casal) que teriam ido a casa da família na manhã do dia em que os corpos foram encontrados as 18h?

– Porque o parceiro de Andréia no batalhão teria dito uma coisa ao tio do garoto e outra em depoimento? Primeiro afirmou ao tio que o menino não sabia dirigir nem atirar, depois confirmou que “sim, ele sabia”, em depoimento.

– O corpo da mãe parece ter sido movimentado depois que ela foi morta, segundo a polícia. Teria o menino força para tal movimento?

– A investigação aponta ainda que a avó de Marcelo levou dois e não um tiro só. Os disparos atingiram a cabeça e o punho dela. Um cartão de banco da avó foi encontrado dentro do bolso de um casaco dele.

Enfim, este é um dos casos mais amblemáticos da história policial recente de São Paulo e que traz outros comportamentos estranhos. O tio da Cabo Andréia que antes afirmava, categoricamente, que o menino não seria capaz de fazer isso, depois de uma conversa com os delegados, mudou e passou a dizer que “quem vai descobrir o que realmente aconteceu é a polícia”. Outra coisa: um dos delegados do caso que pegou o bonde andando e, desconfiado de algumas coisas, chegou a soltar informações importantes, agora se mantém mais calado. O que teria havido?

Os resultados dos laudos que vão confirmar a sequência em que todos foram mortos, a que horas cada um foi assasinado e se estavam todos dopados ou não, ainda devem demorar pra sair. Só me pergunto uma coisa: será que poderemos confiar plenamente neles?

A polícia já intimou a médica que cuidava do menino (que tinha fibrose cística) para traçar um perfil do garoto e saber se o medicamento que ele usava poderia trazer alguma alteração em seu comportamento. E também precisa confirmar a informação de que Marcelinho teria criado um grupo chamado “Os Mercenários” (talvez uma alusão ao filme) onde só fariam parte adolescentes que teriam o desejo de matar os pais. Esse, talvez, o detalhe mais escabroso que pode revelar um lado sombrio do adolescente que talvez nunca imaginássemos que ele teria.