157 ou 137? Artigos seriam coincidência ou recado?

Mais um dia debruçado sobre o caso do menino de 13 anos que teria matado toda a família e cometido suicídio. E mais um dia em que não me convenço de que foi realmente ele que fez isso. Talvez eu até tenha de engolir depois tudo o que tenho dito aqui, mas não posso me resignar e aceitar o que a polícia esta propondo até o momento. Pode até ter feito! Mas acredito que tenha mais gente por trás disso tudo que o guiou. Inclusive porque vizinhos teriam visto movimentações estranhas na casa na tarde de segunda feira, antes dos corpos serem descobertos.

Hoje vi as fotos da cena do crime: pai deitado de bruços num colchão na sala, mãe deitada sobre os joelhos sobre o mesmo colchão e o menino caído ao lado, deitado de lado. A princípio parece tudo montado, tudo muito estranho. A impresão que dá é que alguém arrumou os corpos para que sugerissem como teriam sido os disparos. Não sou nenhum perito, não tenho nenhuma habilidade nem faro policial, mas a cena me trouxe interrogações. Porque o casal dormia num colchão na sala sendo que havia um quarto pra isso e que não estava em reforma? Estranho!

Na entrevista ao delegado do caso, sem grandes novidades, ele trouxe mais alguns elementos que confirmariam a versão apresentada até agora do “sim, foi o menino”.  Foi dito que ele sabia dirigir bem  – bom, isso foi visto nas imagens das câmeras de vigilância  que o mostram estacionando o carro próximo da escola. E que também sabia atirar, pois o pai o ensinou. Ok, filhos de policiais podem ter essa habilidade. Um colega de escola também teria dito em depoimento: “Ele dizia todo dia que aquele seria o último dia dele na escola, que amanhã não viria mais “.  Mesmo assim, não me convenço.

Há outras coisas estranhas na história como, por exemplo, o comandante da mãe do garoto afirmar e desmentir em menos de 24 horas que ela tinha colaborado com investigações sobre a participação de PMs em roubos de caixas eletrônicos. Também disse e “desdisse” depois que havia estas investigações. Ainda justificou que “se atrapalhou” durante a entrevista dada a uma rádio da capital e que não sabia que estava sendo gravado. Oras, se ele alega que pensava estar numa conversa informal, na minha opinião, então ele teria dito tudo de maneira mais verdadeira, digamos assim. Imagino o que aconteceu: desmentiu tudo porque teria tomado um tremendo puxão de orelhas (pra não dizer uma “carcada”) do comando superior da PM. E se isso aconteceu é porque não deveria ter falado o que disse, ou seja, a verdade. Se a cabo Andréia ajudou a denunciar colegas, essa colaboração pode muito bem ter a ver com isso. Ou estou viajando demais?

Outro detalhe que apuramos hoje também faz referência ao que está riscado no portão da casa e ao que eu disse no meu último artigo. A palavra “Abuso” e o número “157”, como eu escrevi, podem referir-se a artigos dos códigos penais brasileiro e militar que descrevem “roubo” e “violencia contra superior”, consecutivamente. Hoje aventou-se a hipótese de não ser “157” e sim “137” (porque os números estão borrados), cujo artigo refere-se a “RIXA”. Uma produtora que tem contatos  com o pessoal do PCC me confidenciou que descobriu que a Cabo Andréia era linha dura e pegava pesado com suspeitos, do tipo meter o cuturno na boca, pisar na cabeça e outras gentilezas. Seria mesmo uma coincidência ou um recado?

Aguardemos os próximos capítulos dessa história que já desconfortou a cúpula da segurança pública paulista.