O assassino à direita da foto. Inexplicável!

Terça-feira, 20h. Acabei de voltar da rua e ainda tento entender a matéria que acabei de fazer para o Jornal da Record. Na verdade, apesar de já ter vivido um pouco e ter presenciado muitos casos tenebrosos, tento entender que motivos levam determinadas pessoas a fazer o que fazem. Me refiro aqui ao caso do menino de 13 anos que matou o pai e a mãe (policiais), a avó e a tia-avó, e depois deu um tiro na própria cabeça. E tudo de maneira fria, calculista e aparentemente planejada como um assassino profissional.

Já cobri casos em que pessoas foram degoladas, crianças foram jogadas de janelas, filhos que matam pais, pais que matam filhos, vítimas carbonizadas ou esquartejadas e outras atrocidades que acontecem por aí. Mas não consigo ainda entender o que leva os assassinos a cometerem tais crueldades. Me comovo, me indigno, fico chocado a cada novo caso. Pela experiência, não deveria, mas tudo isso sempre me incomoda muito. Sempre me coloco no lugar de um parente, de um amigo, de uma pessoa que conhecia as vítimas. E isso me destrói ainda mais! Apesar de fazer um trabalho imparcial, sem fazer juízo de valores, é impossível, depois, ficar imune aos efeitos dessas situações devastadoras para o sentimento humano.

Nesse último caso, estou até agora – e com certeza irei passar muito mais tempo ainda – tentando descobrir um centelha de luz que seja, que me diga porque esse garoto fez isso. Friamente, aproveitou que a família dormia, atirou na cabeça do pai, da mãe, da avó e de uma tia avó. Depois disso, pegou o carro, dirigiu até a escola em que estudava e dormiu dentro do carro até o início da aula. Câmeras de segurança comprovam isso. Saindo da escola, pegou uma carona de volta pra casa onde se matou com um tiro na cabeça com a mesma arma usada nos outros assassinatos. Essa hipótese, praticamente comprovada pela polícia, tem evidência claras. Mas uma dúvida que resta é: PORQUE ELE TERIA FEITO ISSO TUDO? A resposta foi enterrada junto com os corpos.

As especulações sobre os motivos do crime são muitas: influência de um game violento que ele jogava? Uma educação repressora de pais militares? Um problema de saúde que o limitava em várias atividades físicas? Ou uma simples psicose inexplicável? A esta altura dos acontecimentos, impossível explicar. Teria ele comentado um colega que prestou depoimento: “Meu sonho é matar meus pais e virar matador de aluguel”. Me incomoda outro questionamento: porque o filho de um sargento da ROTA, o grupo de elite da PM, e de uma cabo militar queria ser matador profissional? Porque queria matá-los? Eu me imaginei um garoto de 13 anos cujo pai é da elite da PM. Pra mim ele seria “o cara”, meu exemplo, combatente da criminalidade e defensor da justiça e da moral. Porque eu iria querer matá-lo e, pior, de forma tão fria?

Outro detalhe curioso do caso que quase não vi retratado pela mídia e também não entrou na minha matéria por questões de relevância no momento. Na casa onde aconteceu o crime havia uma inscrição raspada na tinta do portão de entrada: “Abuso 157”. Para quem não sabe, no Código Penal Artigo 157 indica “crime de roubo”. Pesquisando mais sobre isso encontrei também o Artigo 157 no Código Penal Militar – significa “praticar violência contra superior”. Me causa estranheza essa inscrição de duplo significado “rabiscada” no portão da casa de um casal de militares.

Há algo de muito estranho nessa história toda. Na verdade, pelo que temos visto, há algo de muito estranho na humanidade. E devemos ficar ainda mais preocupados quando deixarmos de nos impressionar com esse tipo de coisa.