Se sentir assim sempre, traz mais alegria

Sou um homem maduro, profissional responsável, pai dedicado, marido companheiro e amigo leal. Mas, perto de completar 50 anos (daqui 3), tenho comigo uma entre as que considero minhas maiores virtudes – ainda sou uma criança. E é isso que me faz feliz, realizado e completo. E quando digo que sou uma criança, muita vezes é no sentido literal da palavra. Gosto de ver desenhos animados, já peguei fila no cinema pra assistir Harry Potter, sou louco por brinquedos de parque tipo Disney World, adoro pregar peças nos amigos (sem maldade, claro) e fico magoado quando não consigo as coisas que quero. Só não faço birra…rs. Além disso imito vozes de personagens quando brinco com a minha filha e adoro brincar com os sobrinhos nos joguinhos eletrônicos.

Esse lado criança que tenho e recomendo a todos que devam manter também, é que deixa a vida com um sabor mais doce. Tão doce quanto a maçã do amor das quermesses, do churros recheado com doce de leite, do algodão e da pipoca doce. Coisas que adoro comer quando tenho oportunidade. E fazer isso me dá uma sensação tão grande de liberdade que realmente me sinto como uma criança se lambuzando no melado.

Tenho uma bebê de 10 meses e criei outras duas meninas, hoje mulheres. Sempre desejei ter meninas. Mas no fundo, tenho uma pequena frustração: não poder comprar para elas os brinquedos de menino que eu adoraria ter agora. Aviões, helicópteros e carrinhos de controle remoto! Não chega a ser uma frustração de fato, apenas uma eleição de prioridades. Já ameacei comprar um brinquedinho desses para me divertir nas horas de folga, mas a mulher me ameaçou. Afinal de contas a máquina de lavar roupas nova esta acima na lista de prioridades…rs.

E não tenho vergonha de assumir que adoro certas coisas de criança. Tenho um PS2 em casa (para quem não sabe, um vídeo-game). É antigo, mas comprei escondido de um amigo e dei a desculpa de que ele precisava de dinheiro. Uma desculpinha de criança pra mulher não ficar brava…rs. Adoro jogar de vez em quando e já cheguei a passar oito horas na frente da tv. É obvio que a patroa estava viajando. Agora ensaio a compra de um long skateboard (um skate mais longo e com rodas maiores) pra curtir algumas descidas, com o vento no rosto, deslizando pelas ruas sem manobras radicais. Uso boné e bermuda com frequencia quando não estou no trabalho e não abro mão de me lambuzar comendo um belo sanduiche em casa ou na rua.

Quando viajo com casais de amigos, colocar pasta de dente atrás das maçanetas das portas, encher os calçados de areia e dar nós nas pernas das calças são apenas algumas das brincadeiras saudáveis que protagonizo para deixar a convivência mais alegre. E recebo pregações na mesma proporção, sabendo levar tudo na esportiva senão a coisa perde a graça.

Me revelo desta forma como uma homenagem ao Dia da Criança e a aqueles que, assim como eu, desfrutam sem pudores do seu lado moleque. Acho que todos nós devemos guardar uma porção infantil dentro da gente para que a vida não seja tão amarga. A graça da vida está em sermos crianças com responsabilidade, saber separar a hora certa de agirmos como adultos e termos nossos momentos pueris.

Aqueles que não tem a vergonha de ser assim, tem o dom de compreender a pureza das crianças e desta forma ter a virtude de serem sinceros, transparentes, leais, honestos e puros como fomos no passado.

Que neste dia todos botem para fora a criança que vive dentro de cada um de nós!