Estaremos voltando ao passado?

Há muito tempo nossos valores morais estão sendo banalizados. Não fumar maconha é ser careta, não trair é babaquice, mentir faz parte da natureza humana, encher a cara é “irado” e honestidade, que deveria ser obrigatória no ser humano, acabou virando uma qualidade de poucos. Enfim, o que deveríamos ter como virtude, parece que está caindo em desuso. E olha que nunca fui nem um pouco careta. Agora, colocar a virgindade a venda num leilão pra mim é a forma mais bizarra de banalizá-la na busca de se tornar uma celebridade.

Sempre achei essa coisa de virgindade uma besteira tremenda, mas nunca questionei ninguém que quisesse mante-la até “encontrar a pessoa certa”. Tenho duas enteadas do meu primeiro casamento e esse sempre foi um assunto muito aberto em casa. Cada uma deveria saber a hora de “virar mulher”, sem nenhuma pressão. E souberam. Sem comunicação prévia ou posterior. Simplesmente seguiram o rumo natural das coisas.

Agora vejam o caso dessa menina de Itapema, Santa Catarina. O leilão da sua virgindade já bate na casa dos 300 mil reais. Que absurdo é esse em que alguém pagaria uma quantia dessa só para ser o “primeiro” de uma jovem? Não sei o que é pior: a atitude do pretendente ou da própria menina. No caso dela, até podemos encaixá-lo no de outras que fazem de tudo para alcançar a fama rápida sem qualquer esforço – casos das mulheres-frutas, das maria-chuteiras, maria-gasolinas, oportunistas de plantão que agarram qualquer oportunidade que aparece pela frente por alguns momentos efêmeros de fama. Mesmo que essa fama não seja lá muito positiva.

É, banalizaram ainda mais a virgindade que já estava em desuso. Será que é tão difícil hoje em dia encontrar uma jovem virgem que haja a necessidade de se pagar uma fortuna para tê-la? Pode ser que sim. Pode ser que isso esteja virando mesmo uma raridade nos tempos de hoje. Agora, expor isso de maneira pública e vender essa espécie de honra num leilão me parece com outra coisa: trocar sexo por dinheiro, mesmo que seja uma vez só, pra mim tem outro nome há centenas de anos.

Mas e os pais dessa garota? O que dizem? “Ah, mas é um documentário, é arte. E os 300 mil reais (ou mais) serão muito bem vindos!”

As regras da relação sexual com o vencedor do pregão incluem exames médicos de ambos, apenas 1 hora para que o fato seja consumado e, pasmem, não permite beijos entre o casal. Ou seja: é chegar e PÁ-PUM! Lá se vão centenas de dólares do imbecil e um hímen rompido. Tudo sem romance, sem clima, sem apresentações prévias, sem nenhum sentimento. Talvez nem o de culpa.

Será que ao invés de modernidade, esse leilão não é uma representação atual do que acontecia no passado? Vejo na minissérie Gabriela que a virgindade é um quesito de valor, de honra. E o pagamento por ela vinha através da cessão de dotes ao pai da moça que só era aceita se ainda fosse virgem. Senão, nada feito. Será que o que acontecia naquela época, anos 20, 30, 40, é muito diferente desse leilão? Pelo menos o casamento era obrigatório naqueles tempos.

É… pode ser que estamos mesmo voltando ao passado e não estamos percebendo! Só não podemos achar que isso é normal demais senão além de perder nossos valores vamos perder também a razão.