Começou aquele velho lega-lenga dos candidatos na televisão. E quanto mais assisto ao horário eleitoral gratuito, menos acredito que alguém ali possa cumprir o que está dizendo. Tomemos como exemplo candidatos que já foram vereadores ou ocuparam cargos de prefeito, governador, deputado, ministro ou secretário. Porque não fizeram antes, quando estavam no poder, o que agora prometem como candidatos?

E o discurso não muda. É o mesmo de quando comecei a votar aos meus dezoito anos de idade. E olha que isso já faz um bom tempo. Não vejo proposta concreta. Todos falam em melhorar a educação, saúde, segurança… mas ninguém diz, efetivamente, como fazer isso. E entra eleição, sai eleição, a coisa continua do mesmo jeito. Ou alguém aí percebeu alguma melhora significativa nestes setores?

O que me dá nojo mesmo é ver os que já passaram por cargos públicos se vangloriando de coisas que fizeram pela metade e que não funcionam. Gente da qual nós da imprensa conhecemos o tamanho da arrogância mas que fala em “simplicidade, humildade, pé no chão”. Me desculpe senhor candidato, mas o senhor é um baita de um canalha mentiroso!

E o pior é que tem eleitor que engole essa balela, que aplaude, que canta o jingle de campanha do cara, que passa o dia debaixo de um sol violento segurando a bandeira dele num cruzamento. É gente que troca voto pelo pagamento de uma conta de luz ou de um punhado de telhas para cobrir o puxadinho. E aí a ciranda da mesmice segue seu ritmo, mantendo lá em cima quem nunca deveria ter chegado lá.

Aí vem alguém e diz: “não vou votar em ninguém, estou de saco cheio!”. Pronto! E é exatamente isso que coloca lá os maus candidatos. O que muitos eleitores não conseguem entender é que anulando o voto ou deixando de votar em alguém do bem, acaba-se permitindo que os maus vençam. Mas outro pergunta: “Votar em quem então se são todos farinha do mesmo saco?”. A maioria até pode ser, mas no meio de tanto lixo, pode haver gente boa também. Basta pesquisar, se informar mais. Ao invés de ficarem penduradas no Facebook publicando frases de auto-ajuda ou compartilhando fotos de sites de humor, as pessoas deveriam pesquisar sobre os candidatos, conhecer sua história pública, saber se sua ficha é limpa ou suja. Isso é facilmente encontrado na rede. Inclusive há sites especializados em mostrar quem-é-quem na política.

O horário eleitoral gratuito no rádio e tv é um pé no saco, mas bom para você escolher um candidato do seu agrado e depois pesquisar sobre ele. Tente identificar quem fala com mais seriedade e não se deixe levar pelos palhaços que tem a clara intenção de avacalhar o processo. Uma propaganda engraçadinha, uma piada, um candidato bizarro podem até te fazer rir, mas são armadilhas para os incautos. Chega dessa coisa de votar em algum ignorante puramente por protesto, alguém que não vai fazer absolutamente nada pela sua cidade. A ignorância e a omissão de uns são como uma porta aberta para o oportunismo de outros.