Tarifas em São Paulo são abusivas

Quando estou de folga da TV sempre dou uma escapada para o interior onde tenho família. Meu principal destino é Ribeirão Preto, a 310 quilometros da Capital. Dia desses precisei fazer um bate e volta para uma consulta lá e fiquei na dúvida entre ir de carro ou de avião. Como sempre gostei de pegar estrada, ir dirigindo não seria problema algum. De avião, eu teria de ficar amarrado aos horários que atrapalhavam meus compromissos. E pensando melhor ainda, com as passagens aéreas, ida e volta, em torno de 350 reais, decidi ir de carro mesmo. Assim curtiria a estrada e economizaria um pouco. Mas muito pouco. O problema é que me esqueci de um detalhe: não calculei o valor dos pedágios!

Eu sempre defendi que pedágio é uma das poucas taxas (acho que a única) que a gente paga em que se pode ver o resultado. Em São Paulo, pelo menos, rodamos sobre tapetes de asfalto. Nas rodovias como a Bandeirantes e Anhanguera há telefones de emergência a cada quilômetro e sempre que se precisa, há socorro quase que imediato. Até aí, tudo bem. O que não devemos concordar é com o preço que se paga por isso que, em São Paulo, se tornou um verdadeiro abuso.

Vejam meu exemplo: de combustível até Ribeirão Preto, rodando cerca de 650 quilômetros (ida e volta) gastei cerca de 160 reais (isso num carro pouco econômico que faz em média 10,5 km/litro). A parada pro cafezinho, um salgado e água saiu mais 12 reais. Agora, só de pedágios (e são 8 ao longo do caminho, 16 ida e volta) foram mais 98 reais e vinte centavos. Total da viagem: R$ 270,00. Realmente um pouco mais barato que o avião (80 reais). Mas levando em conta o tempo que gastei e o cansaço, não sei se realmente valeu a pena.

Deixando a economia de lado, minha indignação é com o preço dos pedágios em São Paulo. Você acha que o que paga é justificável até transitar por outras estradas, em outros estados, tão boas quanto as daqui só que com pedágios bem mais baratos. A BR 101, após Curitiba em direção a Florianópolis, tem um bom asfalto e não cobra mais que R$ 1,70 por pedágio. Em Minas a taxa varia de R$ 1,40 a R$ 2,80. Já em São Paulo o abuso varia entre R$ 4,90 até R$ 21,20 (na Imigrantes) com média de R$ 7,20. A pergunta é: porque outros estados conseguem manter suas rodovias em ótimo estado de conservação cobrando pouco e São Paulo não? É lógico que alguém está lucrando com isso. E não seria ninguém mais que não o governo estadual que autoriza as concessões e lucra milhões com isso.

E ainda tem mais um agravante: quem usa o sistema “Sem Parar” sente menos o peso no bolso já que a facada vem uma vês por mês apenas e com débito automático na conta. Quem paga a cada passagem pelas guaritas sente mais a mordida.

Mas fazer o que? Deixar de viajar de carro? Deixar que as estradas virem crateras? Não tem jeito! O pedágio é mais um mal que somos obrigados a engolir como outros tantos neste país. Um gosto amargo temperado pela corrupção e injustiça que nos escorcha historicamente.