Ex-ministro da justiça: a serviço do que mesmo?

O Dr. Márcio Thomaz Bastos abandonou Carlinhos Cachoeira. Demorou, tamanha a enxurrada de críticas de todos os lados pelo fato de ele ser um ex-ministro da justiça. Devemos entender a palavra justiça como “Virtude moral pela qual se atribui a cada indivíduo o que lhe compete” – assim dizem os dicionários. Será que Bastos queria mesmo atribuir ao bicheiro o que lhe compete? Mas o que lhe compete? Subornar empresários? Corromper políticos? Praticar atividades ilegais? Acho que o senhor ex-ministro desconhecia o real significado da pasta que ocupou. Ou se fez de rogado.

E agora, como num surto moral, decide deixar a defesa de Cachoeira, assim, simplesmente sem nenhuma explicação. Explicação da parte dele, pelo menos. Até mesmo os mais desinformados atribuirão o fato à própria mulher de Cachoeira, Andressa Mendonça e ao fato de não ter chances de livrar seu cliente das acusações. Se coloquem no lugar do senhor Thomaz. Sabe que o cliente não é santo, mas usaria as brechas da lei para aliviar sua barra. Aí vem a primeira-dama da CPI, Andressa, e tenta comprar um juiz que tem nas mãos a Operação Monte Carlo, que deu início a derrocada do contraventor. A mando de quem? Do marido, óbvio! Com isso, acabou detonando o arcabouço da defesa que o doutor Bastos vinha construindo (se é que existia um). Sem mais nem menos mandou tudo por água abaixo. Das duas, uma: ou Cachoeira conseguiu uma maneira de se livrar do “nobre” advogado e dos milhões que teria de pagá-lo, mesmo não tendo conseguido sequer que ele respondesse em liberdade, ou achou que poderia arregimentar mais uma autoridade para aliviar sua barra (o juiz), já que tinha conseguido isso com outras.

Thomaz Bastos se livrou de Cachoeira sim, mas não se livrará das críticas. O pecado moral dele continua – o “nobre” ex-ministro é advogado de mensaleiro, gente acusada de participar do maior escândalo político já visto nesse país. E quer adiar o julgamento. Assim como tentou com Cachoeira, diz que o caso do Mensalão é “artificial” e que “precisa de tempo para analisar os documentos de acusação”. A mesma estratégia que usou na CPI.

Como ex-ministro da justiça e responsável pela indicação da maioria dos ministros do STF que vão participar do julgamento dos mensaleiros, doutor Bastos precisa rever seus conceitos. Ou melhor, precisa rever sua clientela. A não ser que ele acredite que seu poder ainda prevalece nas alçadas judiciais desse país. E até deve prevalecer. Mas usar isso para tentar livrar bandidos da cadeia, é demais. Que bela maneira de antecipar a aposentadoria!