Estacionamentos: exploração descarada e sem controle.

Não tenho como chamar de outra coisa esses locais que te esfolam, aproveitando uma deficiência das grandes cidades – a falta de lugar para estacionar nas ruas. Em São Paulo então, a situação é ainda mais complicada que em qualquer outro lugar.

É claro que eles nos dão “certa” tranquilidade na hora de parar o carro para ir ao teatro, cinema, loja ou restaurante. Pelo menos você não fica a mercê de assaltantes ou arrastadores que só esperam a hora de você chegar até seu veículo, estacionado na rua. Você paga o preço de ter “certo” conforto e “certa” segurança. E, sinceramente? Não me importo de pagar pra ter isso. O que me incomoda – e aí é que surge a “mafiedade” da coisa – é você entrar num estacionamento no centro de São Paulo, ir até a loja da esquina, ver que não tinha o que você procurava, voltar em menos de 5 minutos e ser obrigado a pagar os 15 reais do preço. E não tem discussão! Com cara de quem estava te fazendo o favor de guardar seu carro, o manobrista te cobra por uma simples manobrada o preço inteiro de uma hora de estacionamento.

Outro dia tive de pagar integralmente a um Valet, mesmo tendo pedido o carro de volta em 2 minutos porque o restaurante estava cheio e a espera seria de mais de uma hora. Quase bati no cara, mas não teve acordo.

E além disso, do que eu chamo sem medo nenhum de EXPLORAÇÃO, há as regrinhas que a gente quase nunca consegue ler nas placas. “15 REAIS A HORA, mais 5 reais por hora adicional”. O preço do adicional é escrito lá no finalzinho da placa, em letras que quase não se enxerga direito. E mais, se você ficar com o carro no estacionamento 1 hora e, apenas, 1 minuto, vai pagar por esse 1 minuto os cinco reais de uma hora inteira. A desculpa esfarrapada é sempre a mesma: “Ah senhor, o sistema é que cobra assim, não tem tempo de tolerância. Passou um segundo ele já cobra o preço inteiro!” Conversa! É roubalheira mesmo!

O pior de tudo isso é que ninguém pode fazer nada. Estacionamentos ficam em terrenos e prédios particulares. Em São Paulo até que existe lei municipal para regulamentar a atividade mas não há fiscalização, cada um cobra o preço que acha que tem de ser cobrado e pronto. Você paga se quiser. Só que você anda por uma rua como a Senador Queiroz, no centro de São Paulo, onde existe um estacionamento atrás do outro e, CURIOSAMENTE, todos tem o mesmo preço. É ou não é uma Máfia?

E aquela história de seguro também é outra balela. Conversando com um amigo que tem estacionamento (e que ele me perdoe por falar mal desse tipo de negócio) descobri que nem todos os carros que estão ali são protegidos contra seguro. A maioria dos estacionamentos só faz seguro para, no máximo, 10% do total de vagas. Se o lugar tem 50 vagas, apenas 5 carros vão estar cobertos. Se roubarem ou danificarem seis e o seu estiver no meio, reze para que você seja mais amigo do dono do estacionamento do que os outros.

Quero deixar bem claro que não estou questionando aqui o tipo de serviço. O estacionamento é uma mão-na-roda quando não se tem lugar para parar. O que questiono é a política de cobrança das taxas, principalmente o tempo extra, e a inexistência de uma tolerância mínima para a permanência do veículo sem cobrança. Sem exploração e intolerâncias nós poderíamos usar muito mais o serviço e eles faturarem muito mais.