Rejaniel e Sandra: exemplo de dignidade

Dias desses escrevi aqui sobre a postura de um taxista que devolveu um troco dado a menor para uma passageira (leia o artigo). Era pouca coisa – 10 reais – mas foi exatamente pela sua honestidade que a história ganhou a mídia e o taxista teve a notoriedade que merece.

Agora relato um caso que cobri nessa segunda-feira para o Jornal da Record. Trata-se, de novo, de honestidade e, talvez, seja mais incrível que a história do taxista. Vejam só: um restaurante foi assaltado na zona leste na madrugada. Os bandidos levaram uma bolsa com aproximadamente vinte mil reais. Ao perceber a polícia por perto, eles abandonaram a sacola no canteiro de uma calçada. Alertados pela correria, um casal de catadores que vive embaixo de uma ponte na redondeza saiu para ver o que tinha acontecido. Caminhando pela calçada, os dois encontraram a bolsa.

Rejaniel Santos, de 36 anos, veio do Maranhão há 16 anos tentar a vida em São Paulo. Mas só encontrou serviço nas ruas. Ele ganha entre 100 e 150 reais por mês com o que consegue encontrar no lixo. A mulher dele, Sandra, paranaense de 35 anos, o ajuda. Os dois dividem um colchão velho no espaço embaixo da ponte. Tão limpo e asseado que se pode comer sentado no chão. O frio na noite passada foi amenizado com um edredom surrado e encardido. Rejaniel sonha em terminar os estudos que mal começou na infância e, quem sabe, um dia se tornar mecânico.

Os dois, pela situação em que vivem, poderiam mudar de vida com o dinheiro encontrado. Mas não. Ao contrário do que faria muita gente – até mesmo quem não precisa de dinheiro – decidiram entregar tudo para a polícia. O que mais me comoveu ao conversar com Rejaniel foi sua resposta: “eu aprendi o que minha mãe me ensinou, que não se deve ficar com o que é dos outros“.

Depois de se encontrar com os donos do restaurante de onde o dinheiro foi roubado, o casal recebeu a oferta de passar por um treinamento e trabalhar com eles. Foi uma oferta pequena pelo que fizeram, mas imensa para quem não tem um teto para viver e nem tinha perspectivas de um dia sair dali.

Uma coisa esse casal pode comemorar: os dois tem muito mais dignidade do que muita gente por aí. E assim como o taxista da história anterior, nos provam que existe sim recompensa para quem é honesto. Se não é o prêmio material, é a graça de poder encostar a cabeça no travesseiro e dormir tranquilos. Gente assim precisa existir em cada esquina! Seja taxista, seja morador de rua.