Outro dia li na internet o relato do repórter da Globo, César Menezes, sobre um assalto que ele sofreu em São Paulo, parado no trânsito, dentro de um taxi. Como passei por isso recentemente, mas com a sorte de ter sido apenas furtado no aeroporto, não sendo intimidado diretamente pelos ladrões, senti ainda mais indignação que meu colega de profissão ao ler a notícia. E a conclusão a que chego é que, realmente, estamos cada vez mais cerceados do nosso direito e ir e vir e de “ter”.

Na mira da insegurança.

Hoje vemos que os bandidos tomaram conta das ruas de São Paulo sem que haja uma ação efetiva para combatê-los. E assim, um dos nossos direitos básicos previstos na constituição –  A SEGURANÇA – é desprezado, jogado no lixo.

Hoje não podemos nos sentar tranquilos em qualquer restaurante ou bar para um simples jantar de comemoração, ou apenas para desfrutar de alguns momentos de lazer, porque estamos sujeitos a passar por um arrastão como os que temos visto toda semana. No dia dos namorados eu e minha mulher chegamos a deixar relógios, jóias, carteiras e celulares em casa – levamos apenas um cartão de crédito – para não corrermos o risco de perder tudo numa ação dessas. Nos sentimos ridículos, claro, mas era a única alternativa se quiséssemos comemorar a data fora de casa sem nos preocuparmos em perder algo num assalto. O pior é que especialistas dizem que temos de carregar sempre o “dinheiro do ladrão”. Até isso está se institucionalizando!

Em São Paulo você não pode ter um carrão chamativo porque vira alvo de arrastadores e sequestradores. Não pode portar um bom relógio sem chamar a atenção. Se sacar um celular moderno em público, corre riscos. Se abrir um iPad em qualquer lugar, pode virar um prato cheio para bandidos. Daqui a pouco teremos de tomar cuidado com a grife das roupas que usamos. Não se pode nem sair com cachorros pequenos para passear sob o risco de tê-los levados por alguém que pedirá resgate depois. Agora, depois do assalto do Menezes (leia aqui), andar de taxi também será preocupante?

Estamos vivendo uma pseudo-liberdade, mais aprisionados do que quem está atrás das grades. Nem dentro das nossas casas, cercados com grades, câmeras, cães ou cercas elétricas, estamos seguros. Condomínio fechado deixou de ser sinônimo de tranquilidade faz tempo. Vivemos com medo, precavidos e desconfiados. Suspeitamos até de quem vem nos perguntar a hora na rua ou pedir uma informação. Quando nossos filhos ou esposas vão sair de casa então, as recomendações de cuidado são tantas que, muitas vezes, eles se apavoram e preferem não ir. Só mesmo em casos de urgência.

Não podemos mais ir sossegados ao médico, ao shopping, ao supermercado, aos bares e restaurantes. Não podemos nos descuidar por qualquer segundo que seja das coisas que carregamos e nem podemos deixar qualquer objeto que seja no console do carro. Nem mesmo podemos sacar dinheiro em caixas-eletrônicos sem medo. Onde vamos parar com tanta insegurança?

Como eu disse num post recente, não estão roubando apenas aquilo que adquirimos e conquistamos com nosso trabalho. Estão roubando a nossa tranquilidade, a nossa paz de espírito, nossa confiança e segurança. Estão roubando aquilo que nos é mais valioso – nossa liberdade! E a polícia pouco, ou quase nada, faz para nos dar isso de volta. Assim como nossos objetos levados.

Quando nos levam um relógio, um notebook ou um celular, estão te levando muito mais que simples objetos de valor. Estão levando sua honra, rebaixando você a um ser desprezível como uma larva de inseto. Os bandidos pisoteiam nossa dignidade como quem amassa uma bituca de cigarro e comemoram com deboxe mais um trouxa lesado. Certa está a idosa que, por ter a casa invadida, atirou e matou um ladrão.

O que eu queria mesmo é ter isenção de impostos por cada objeto que nos roubam. Pelo menos assim estaríamos dando dinheiro a um ladrão só, que também não nos dá nada em troca.