Pular ou não a cerca: eis a questão!

Aproveito o mês dos namorados para tocar num assunto complexo, mas ao mesmo tempo fácil de resolver: a fidelidade. E foi pela falta dela que estamos acompanhando pela mídia um dos mais assombrosos crimes já vistos – o assassinato do empresário Marcos Matsunaga, dono da Yoki. E o caso até que seria comum, segundo as estatísticas, se não tivesse havido uma morte tão brutal. Pesquisas apontam que 60% dos homens e 47% das mulheres traem seus companheiros. E podem ter certeza: não devem ser nem um pouco felizes com isso.

Este mês completo mais um ano de casado. Seis, até agora. Já fiquei dez anos com uma outra pessoa e quase quatro com uma segunda. Mas como não conto meus relacionamentos pelo tempo permanecido neles e sim pela intensidade com a qual os vivi, lhes digo que estou num dos meus melhores momentos. E digo de boca cheia: é o primeiro relacionamento onde nunca traí.

O primeiro casamento foi maravilhoso. Dez anos convivendo com uma pessoa íntegra, bondosa, altruísta e com todos os adjetivos mais com os quais se possa elogiar alguém do bem. Não deu certo, infelizmente. E também não podemos eleger culpados. Acredito que quando relações assim terminam, ou não há culpados ou ambos são. Se o amor e o tesão acabam de uma das partes é porque a outra não cumpriu direito seu papel. Talvez tenha faltado regar a planta, talvez tenhamos jogado água demais. Não dá para atribuir culpa exclusivamente à qualquer um dos dois quando tudo foi maravilhosamente seguindo seu ritmo até o fim. E porque terminou então? vocês devem estar se perguntando. Porque chegou a hora, assim como a vida termina.

Traí sim, admito. Mas depois de errar muito com algumas pessoas que amei, acho que encontrei a fórmula da felicidade. E ela é tão simples quanto contar uma história para uma criança dormir. Os ingredientes principais são dedicação e respeito. Nos meus últimos relacionamentos não me foquei nisso, faltei com as duas coisas e acabei enfiando o pé na jaca. Não tenho medo de dizer que pintou traição da minha parte mesmo porque isso ficou esclarecido. E foi exatamente por saber onde e em que errei é que estou conseguindo acertar agora.

Um bom relacionamento tem regras bastante claras: você abre mão de um monte de coisas para viver em harmonia com outra pessoa e ela também. É ilusão achar que podemos manter o mesmo comportamento de solteiros, querendo que a outra pessoa nos aceite como somos. Pura utopia. Mas há compensações que só uma pessoa que vive feliz com outra conhece. Se você realmente deseja estar com alguém e quer que isso seja duradouro, deixe de lado alguns princípios e lance mão de outros. Adote a política do “eu prefiro ser feliz do que ter razão”, que sempre repito aqui, e veja se assim não é mais fácil ser feliz. Não digo isso por ter estudado a fundo os relacionamentos humanos – porque na verdade nunca fiz isso – apenas aproveito para dividir com vocês minhas próprias experiências. Pode ser que não dê certo para vocês como deu para mim. Mas uma coisa eu posso dizer: hoje tenho um relacionamento muito mais completo por ter aplicado certas regrinhas. A da fidelidade é uma delas. E, acreditem ou não, até a minha vida profissional deslanchou com esse novo comportamento.

Eu sempre disse à minha mulher que depois de eu ter aprontado muito, ela me pegou no melhor ponto. Mais maduro e consciente do que antes, hoje sei a importância que um relacionamento sólido tem na vida das pessoas. Basta olhar à sua volta. Será que você consegue ver alguém realmente feliz estando sozinho? É claro que vai aparecer gente dizendo que sim, mas na verdade querendo encobrir uma fraqueza, falta de habilidade para conseguir amar alguém ou ser amado(a), ou ainda como desculpa para justificar relacionamentos que não deram certo. Gente que prefere o ditado “antes só do que mal acompanhado”. Podem ter certeza de uma coisa: quem vive sozinho talvez não viva tão feliz assim e lá no fundo, bem fundo, está mesmo querendo encontrar alguém para encostar a cabeça e dormir em paz. Eu digo isso porque já tentei viver assim e quebrei a cara achando que era auto-suficiente.

Depois de passar anos achando essa coisa de fidelidade tão antiquada quanto “pedir a mão em casamento aos pais”, hoje sou um defensor ardoroso da relação monogâmica – na verdade do respeito que se deve ter pelos nossos companheiros. E foi assim que descobri a paz de espírito, a harmonia, a completude e a felicidade. Brigo com minha mulher tanto quanto qualquer outro casal, mas quando se preconiza o respeito e a dedicação, até essas brigas se tornam suaves e passageiras, sem deixar nenhuma marca. Isso me ajudou a crescer como marido, como homem, como pessoa e como profissional.

Podem me chamar de hipócrita ou demagogo, não ligo. O que importa é que descobri que encontrar a felicidade ao lado de alguém só depende de nós mesmos, da nossa vontade de fazer com que isso realmente aconteça e da persistência em nos dedicarmos a apenas uma pessoa. Pense nisso e seja feliz. Pelo menos tente!