"Vou permanecer calado! Senão to frito!"

O depoimento, ou melhor, o não-depoimento de Carlinhos Cachoeira na CPI nesta terça feira só veio confirmar uma coisa: a Comissão Parlamentar de Inquérito perdeu tempo com algo que, desde o começo, já se sabia que iria acontecer. O que me intriga é que os caras que estão ali – os parlamentares – já são macacos velhos, alguns com experiência em CPI’s passadas. Como é que permitiram que ele viesse agora já sabendo do seu silêncio? Lamentável.

Quem lê um pouco já sabe que Carlinhos não pode abrir a boca. Ou, pelo bem dele, não deve! Aliás, é nesse sentido que o sobrenome do cara cai bem: se ele disser o que sabe, falar de todos com quem teve relações suspeitas, ou seja, fazer da sua boca uma “cachoeira” de denúncias, a coisa pode respingar em muito mais gente do que se imagina. E gente grossa, de poder. Por isso tenta-se blindar algumas figuras poupando-as, até o momento, de ir À CPI.

A CPI começou mal. Não conseguiu até agora nenhum depoimento que, realmente, viesse complementar as investigações. E os delegados que depuseram até o momento, só confirmaram o que estava no inquérito a que deputados e senadores tiveram acesso. Muitos ali tem se gabado de que conseguiram evoluir aprovando a convocação de mais de 100 pessoas e a quebra de sigilo bancário e fiscal da maioria delas e das empresas envolvidas. Mas a Delta só vai ter abertas as contas regionais – em MT, TO e GO. E o resto? É como devassar o cofrinho que guarda moedas sem olhar direito pra carteira que fica no bolso. Só vão pegar milgalhas!

Agora, espera-se que na quinta feira os depoimentos acrescentem algo ao quase nada que a CPI produziu. Três homens de confiança de Cachoeira vão falar (seriam 6). Mas vão falar mesmo? Se o Ali Babá não abriu a boca serão os ladrões que vão entregar o ouro? Vejo que vão jogar mais lenha no forno que vai assar a pizza.

A verdade é: em ano eleitoral a CPI está mais para trampolim político do que realmente querendo investigar alguma coisa. A polícia federal que tem todos os aparatos, técnicos, logísticos e de pessoal já fez o que deveria ser feito. Agora é com a justiça! Reunir um monte de parlamentares que disputam espaço na mídia, um falando mais alto que o outro, não me parece mais que uma tentativa de se exibir e “tentar fazer historia”.

Mas se as coisas continuarem caminhando como estão, essa história será contada de maneira diferente e com o seguinte título: “Como um ex-ministro da justiça (advogado de Carlinhos) conseguiu driblar 68 deputados e senadores para dar ao seu cliente apenas alguns meses na cadeia”. Me preocupa o fim dessa história.