Nada a declarar. Nem no Imposto de Renda.

Vou contar uma história engraçada que aconteceu na minha turma, uns 25 anos atrás. Uma amiga chegou para um amigo nosso e confidenciou-lhe um fato íntimo. Sem um pingo de escrúpulo, ele saiu espalhando a história pra todo mundo, colocando a moça numa saia justa mais apertada do que trem da CPTM em horário de rush na sexta-feira. Questionado por ela sobre a “matraquice” ele simplesmente soltou a frase: “se era segredo, porque me contou?”. Foram precisos mais 3 amigos para tirar as mãos dela da garganta dele…rs. Mas apesar de engraçada, a história retrata exatamente o que tenho acompanhado na CPI do Cachoeira em Brasília, o que não tem nada de engraçado.

Estou perambulando pelo Congresso desde o início dos depoimentos na semana passada e, diariamente, acompanho o andamento dos trabalhos da comissão. Oficialmente e teoricamente, tudo deveria ocorrer em segredo de justiça – os relatórios da investigação e os depoimentos dados até o momento. DEVERIA! Mas não é o que acontece.

A cada reunião, deputados e senadores saem da sala e abrem o bico para todos nós da imprensa sobre o que rolou lá dentro. Mas isso já era esperado. Além das informações, muitas gravadas nos celulares dos parlamentares, todo o inquérito com textos, fotos e gravações dos envolvidos também já foi amplamente divulgado. Então para que o segredo, as sessões fechadas, o sigilo?

E o que nós da imprensa e alguns senadores e deputados defendemos desde o início é a abertura das sessões. Isso para que as informações sejam captadas corretamente sem más interpretações. E o que tem acontecido é o contrário. Cada um que sai lá dentro tem uma interpretação própria do que foi dito e isso tem causado certa confusão. Outro dia mesmo, um senador e um deputado bateram boca na nossa frente, um contestando o outro sobre o que o delegado da polícia federal teria dito a respeito de um momento das investigações.

Vamos ver agora, nesta terça feira, o que vai ocorrer no depoimento mais importante e mais esperado – o do próprio bicheiro Carlinhos Cachoeira. Há o risco de ele entrar mudo e sair calado como já anunciou seu advogado. E talvez nem devamos ter acesso à sala nesse momento. Mas uma coisa é certa: na CPI do Cachoeira tem que se tomar cuidado com a “cascata” que andamos ouvindo por ali.