Eu estava no aeroporto de Congonhas no domingo me preparando para viajar à Brasília, de onde escrevo este artigo, quando por um descuido de, no máximo, 15 segundos tive uma mochila roubada. Dei as costas ao carrinho para pagar por um excesso de bagagem e quando dei por mim restava apenas o porta-ternos.

Na mochila, produtos que fariam qualquer bandido comemorar a surrupiada – um notebook, um netbook, relógios, documentos, talão de cheques e um smartphone, além de outras coisas menos importantes pra eles, mas muito importantes pra mim. Coisas que serão vendidas, provavelmente na Santa Ifigênia, por alguns trocados para comprar drogas.

Mas os bens materiais são irrelevantes, apesar de terem um certo valor comercial – não pelo que valiam, mas pelo que vou ter de gastar de novo para repor algumas coisas. O pior é o roubo moral! Eu trabalhei para ter aqueles objetos, dei duro, comprei com o dinheiro fruto do meu empenho e dedicação, ninguém me deu. Aí vem um vagabundo qualquer e leva tudo de graça, sem esforço. E ainda deve ter dito “o trouxa marcou bobeira, perdeu prayboy!”.

Perdi mesmo. Mas o roubo moral é pior porque te faz se sentir impotente, sem ação, sem saber o que fazer. Quando isso acontece perdemos a confiança. Os objetos, com o tempo, compro de novo. Mas mesmo que novos não vão apagar a sensação de ter sido enganado, lesado na minha dignidade. E não adianta chamar a polícia que, por sinal, foi super atenciosa no meu caso. Mas o que poderão fazer contra essa corja que age nas sombras, se mistura a bacanas de terno e gravata e lesa mais a dignidade das pessoas do que o bolso? Pouca coisa!

Me revolto ainda mais porque entre as minhas coisas estava a única que eu não queria realmente perder: um HD externo com backup de todas as fotos e vídeos da minha pequena Mariah, produzidos ao longo dos 9 meses de gravidez e dos primeiros 4 meses de vida. Milhares de imagens de momentos que se perderam e, agora, vão ficar apenas na minha memória e de minha esposa. O meu consolo é que podem me levar computadores, relógios, cheques ou dinheiro. Mas uma coisa esses vagabundos jamais me levarão: a felicidade de ter coisas como amizades, amor e paz de espírito que eles jamais terão.