Lá fora funciona! Será que aqui também vai?

Cidadãos brasileiros, preparem os bolsos! Vem mais uma taxinha aí pra gente pagar. É o pedágio urbano que as cidades do nosso país estão autorizadas desde janeiro a implantar. A lei tem como objetivo tentar desestimular o uso de determinados modos e serviços de mobilidade”, ou seja, desincentivar o uso do automóvel e motocicletas para amenizar os problemas do trânsito.

Por um lado, acho a medida interessante. Primeiro por não ser punitiva (de certa forma). É apenas uma opção do motorista querer pagar ou não para circular com sua caranga por algumas regiões da cidade. Em São Paulo, por exemplo, com esse caos que o trânsito é, até que seria bem vinda. Inclusive já se pensou nisso para a região central, tempos atrás. E seria bem diferente do Rodízio, esse sim pune o motorista que desrespeitar, sem lhe dar opções.

Mas há um lado que me preocupa: será que o dinheiro desse pedágio seria mesmo aplicado onde a lei prevê? Ela diz que os recursos da arrecadação do pedágio devem ser usados na melhoria do transporte urbano, em ônibus e metrô melhores e no subsidio das tarifas. Temo que, mais uma vez, como já se conhece na história desse país, não seja isso que aconteça e o dinheiro vá financiar campanhas políticas, desvios, fomentar mais corrupção, caixas 2, etc. Por acaso a saúde pública melhorou com a CPMF?

No Estado de São Paulo temos um bom exemplo de como a cobrança de pedágio funciona bem. Ou alguém discorda da qualidade das nossas estradas? Claro, há exceções. Mas eu, pelo menos, não tenho nada do que falar de rodovias como a Anhanguera, Bandeirantes, Castelo Branco, Trabalhadores, Raposo Tavares e a Régis (tirando o trecho da Serra do Cafezal e lembrando que o pedágio só foi implantado ali há pouco tempo). Fora outras rodovias estaduais menores, pedagiadas, que também tem excelentes pistas de rodagem.

Aliás, pedágio é uma das poucas taxas que pagamos, obrigatoriamente, em que vemos um mínimo de retorno. Só precisa ser mais barato – acho a cobrança justa, mas ainda muito onerosa para quem viaja com frequência.

A maioria dos especialista defende a idéia do pedágio urbano como uma das soluções para o trânsito caótico de algumas cidades. Seria uma medida muito radical? Mas é exatamente nisso que engenheiros de trânsito apostam: quando pesar ainda mais no bolso do motorista, talvez a coisa melhore. E as alternativas aplicadas até hoje já não são mais eficientes. O rodízio em São Paulo, por exemplo, é uma delas. Quem mora aqui sabe que tirar alguns veículos de circulação nos horário de pico não tem resolvido mais a questão.

Já fora do país, temos bons exemplos de que o pedágio urbano funciona muito bem. Mas são em países em que o respeito ao cidadão e suas necessidades é imensamente diferente daqui. Por isso o que conta é a seriedade e a responsabilidade das prefeituras em tornar isso bom para quem usa o transporte público. Eu não preciso usar e não me importaria de pagar esse pedágio desde que a coisa funcione.

Mas, vai saber, né?