Esse é o toque que mais seduz um homem!

Essa semana saí de uma entrevista em frangalhos. Foi sobre uma casal que, um mês depois do nascimento de seu terceiro bebê, uma menina, recebeu a notícia de que ela tinha morrido. Maria Vitória tinha nascido no dia 13 de dezembro, curiosamente um dia antes da Mariah, minha filha. Durante a entrevista não resisti e desabei junto com a mãe, enquanto a gravava remexendo as roupinhas da bebê no quarto que tinha sido decorado para ela. Por trás das câmeras, minhas lágrimas escorriam sem controle na mesma proporção das de Erika, a mãe inconsolável.

Naquele momento eu pensava que isso poderia ter acontecido comigo ou com qualquer outro casal. Afinal o que tirou a vida de Maria Vitória, pouco mais de um mês de vida depois, pode ter sido um problema congênito, misterioso, que se revelou depois do parto.

Ao sair da casa da nossa personagem, ainda comovido e abalado com a situação, peguei o telefone imediatamente e liguei para minha esposa para saber se estava tudo bem com a Mariah. E, como faço diariamente, agradeci a Deus por ter me dado uma criança perfeita, sem problemas e que estará ao meu lado até o fim da minha vida.

São detalhes como esse que me fazem entender hoje o verdadeiro significado do amor incondicional. Aos 26 anos de idade, ainda um jovem mas com a vida bem encaminhada na televisão, me lancei ao desafio de me unir a uma mulher, com a mesma idade que eu, e com duas filhas do seu primeiro casamento. De certa forma virei pai nessa idade pois as tratava (e é assim até hoje, 21 anos depois) como minhas filhas de verdade. Meu amor por elas sempre foi intenso, verdadeiro, sincero, assim como o delas por mim. Mas muitos amigos me falavam que eu só conheceria o verdadeiro amor incondicional quando eu tivesse meus próprios filhos, vindos do meu sangue, frutos de uma relação harmoniosa com alguém que eu amasse. E isso aconteceu recentemente. Mas contesto um pouco o que meus amigos diziam: eu já tinha um amor incondicional pelas minhas enteadas, mas só passei a compreende-lo melhor depois da chegada da Mariah.

Eu confesso que ainda não sei o que define exatamente o que é “amor incondicional” mas posso dar indícios. Quando cheguei em casa depois daquela entrevista, abracei e beijei minha filha como nunca. Quase a sufoquei nos meus braços para sentir de verdade que ela estava ali. E isso aos prantos. Quando a vejo chorar por cólicas (e isso acontece muito pouco), quase me desespero tentando fazer com que aquela dor que a incomoda tanto passe logo. Nas vezes em que fico imóvel, as vezes por mais de uma hora, velando seu sono tranquilo e olhando sua serenidade com pequenos sorrisos que escapam nesse momento, choro de felicidade por ter recebido uma benção tão grande. Sentir uma saudade imensa e vontade de ir embora pra casa depois de um dia de trabalho, é o mínimo que acontece diariamente. Faze-la dormir ou trocar fraldas então, não importa se é de madrugada ou segundos após eu me deitar, é um prazer que vence com folga meu sono e cansaço. Ter a impressão de que sou capaz de matar ou morrer por ela. Se tudo isso resume um pouco do que é o amor incondicional, agora sei o que significa.

Hoje também entendo melhor o que dizem sobre o relacionamento. Por mais repleto de felicidade e complexão que ele seja, aquela pessoa que a gente sempre amou fervorosamente passa para o segundo plano quando nasce um filho. E posso dizer isso abertamente aqui por que eu e minha esposa concordamos com isso. Sabemos que, se por acaso um dia (Deus queira que não) essa relação não der mais certo, uma coisa sobrará intacta: nossa filha Mariah. Ela sim existirá para sempre na vida de cada um de nós, por mais que sigamos rumos diferentes e nos casemos de novo.

Hoje compreendo que amar incondicionalmente é passar por cima de tudo por aquela criaturinha. É sentir um amor tão grande dentro da gente que chega a doer. E até dá medo de perde-lo. É entender que as coisas que fazemos na nossa vida só tem significado se, de uma certa forma, for voltado para ela. Se hoje eu procuro um carro melhor, não é para satisfazer meu próprio desejo mas sim de dar mais conforto e segurança a ela. Se pretendo me mudar para uma casa maior, é por causa dela. Se trabalho incansavelmente é para que ela tenha condições de ter uma vida que eu não tive. E se cuido mais da minha saúde hoje é para nada mais do que pode acompanhar seu crescimento, ve-la se tornar menina, adolescente, mulher e mãe. Perdi meus pais muito cedo e sei bem a falta que eles fazem na vida da gente.

Se tudo isso é amar incondicionalmente, descobri mais um dos poucos sentimentos que ainda faltam para que eu me sinta um ser humano mais completo. E se não descobrir outros, já me darei por satisfeito porque talvez tenha conhecido o maior deles, esse amor incondicional.