E ai? Usar ou não as sacolinhas?

Outro dia falei aqui sobre o banimento das sacolinhas plásticas nos supermercados. Inicialmente, defendi a medida por acreditar que seria uma boa causa ambiental. Faço agora minha “mea culpa” e reconsidero o que eu disse. Andei lendo mais e conversando com mais especialistas imparciais sobre a questão e percebi que a coisa realmente não é bem assim.

É claro que devemos diminuir a quantidade de lixo que produzimos, principalmente de plástico, mas vamos analisar melhor os fatos.

A medida que retirou cerca de 2 bilhões de sacolinhas de circulação é válida para todo o estado de São Paulo. Não é uma lei, portanto, nem todos os supermercados são obrigados a aderir. O acordo com a prefeitura partiu da Associação Paulista de Supermercados que gastava cerca de 400 milhões de reais por mês com a compra das sacolas. Valor que, óbvio, sempre foi cobrado de nós consumidores junto ao preço dos produtos. Só que tirá-las de circulação não vai fazer a mínima diferença no nosso bolso. Mesmo que esse valor seja abatido na planilha de despesas dos supermercados e deixe de ser repassado para os produtos. Seria um desconto tão insignificante que gostaríamos de continuar pagando por elas.

Agora, preparando uma matéria sobre os reflexos e da repercussão da medida junto aos consumidores, percebo ainda mais que essa medida em nada vai ajudar o meio ambiente. Não pelo menos como apregoam. A população vai continuar consumindo plástico na mesma quantidade das sacolinhas, só que agora em forma de saco de lixo. E o que fazer com as sacolinhas de farmácias, sacolões, lojas, bancas de revistas, etc?

Sempre reutilizamos as nossas sacolinhas de forma inteligente – iam para as lixeirinhas dos banheiros e das pias de cozinha e para catar o cocô dos nossos animais de estimação quando saímos pra passear. Sem elas estamos fazendo o que? Comprando saquinhos de lixo para substituí-las. Ou, como já vi em alguns supermercados gente pegando os saquinhos de frutas e legumes e “mocozando” no meio das compras. Então, de uma certa forma, a quantidade de plástico no nosso lixo não diminuiu absolutamente nada.

Resumindo, e reforçando a “mea culpa” em relação ao artigo anterior, vejamos quem pode se estrepar com essa medida:
A – a indústria plástica que deixa de fabricar sacolinhas, que são mais baratas, mas passam a fabricar mais sacos de lixo, que são muito mais caros;
B – os supermercados que deixam de gastar 400 milhões de reais por mês;
C – o meio ambiente que vai ter de engolir a mesma quantidade de plástico que antes;
D – o consumidor que sempre pagou pelas sacolinhas, vai continuar pagando e ainda vai gastar com sacolas retornáveis, carrinhos de supermercado e caixas plásticas;
E – as duas últimas alternativas anteriores.

E há também um outro fato para o qual me atentei: quando levar as compras para a casa em caixas de papelão, o que muitos consumidores vão fazer? Para não comprar mais sacos de lixo, vão colocar o lixo nessas caixas e colocá-las na calçada pro lixeiro pegar. Se a chuva vier antes, tudo vai desmilinguir e se esparramar pela rua. Se o catador de papelão vier antes, ele vai revirar tudo na calçada pra levar a caixa e o caminhão de lixo não vai pegar.

Estamos entre a cruz e a espada. Usar as sacolinhas parece contra-ambiental, mas deixar de usá-las não vai mudar muita coisa. O que falta na verdade são políticas ambientais mais definidas, uma coleta mais eficiente e um descarte de lixo que realmente não venha prejudicar o meio ambiente. Adianta, em casa, eu separar o lixo orgânico do reciclável se no caminhão eles misturam tudo de novo e levam pro aterro?

Soluções existem mas falta boa vontade! O problema é querer isso das nossas autoridades… boa vontade!