O retrato do escárnio político do Brasil. (Foto: Beto Barata/Ag. Estado)

Foi uma brincadeira de criança, claro. Típica de um moleque qualquer que adora fazer gracinhas diante de uma câmera. Desses que, longe da ingenuidade não receberam mesmo é educação dos seus pais.

Fazer caretas, mostrar a língua para alguém, pelo menos na minha época, era sinal de desrespeito punido com puxão de orelha, palmadas e castigo. Esse tipo de atitude é comum entre crianças e, de pendendo da intensidade, parece que elas querem nos dizer “Você é um babaca, eu faço o que eu quero, sou superior a você, não to nem aí pro que você pensa, você não manda em mim…etc”. Seria apenas engraçado se o cenário não fosse a posse de um político corrupto barrado na última eleição pela lei da ficha limpa e que agora assume por causa de um deslize da justiça eleitoral.

Nas feições do menino, filho de Jader Barbalho, não vejo uma criança brincando com fotógrafos e cinegrafistas. Vejo as expresões do próprio pai caçoando, debochando da justiça e de nós brasileiros. O que o filho fez é a perfeita representação do que ele mesmo, com certeza, queria nos dizer: “Olha aí seus juízes de merda, seus opositores imbecis, seus eleitores desinformados… não to nem aí pra vocês! Olha eu aí assumindo de novo depois de um infundado escarcel! Aqui pra vocês, ó!”

E mais uma vez a política corrupta, criminosa, infratora, debochada e inimputável vence. Mais uma vez um político nos chama, indiretamente, de idiotas diante do público. Mais uma vez perdemos a esperança de que um dia tudo isso vai mudar.

E tudo por causa de uma justiça decrépita e ineficiente.

E Deus queira que o Barbalhinho não siga os passos do pai. Imaginem o que, depois de adulto, ele pode fazer se for pego na mesma situação?