O menos que vale muito mais

Nada como a paz de uma caminhada na areia

 

Hoje sou um cara de atitudes simples que, ao longo da vida, aprendeu que ostentações só nos fazem ter mais trabalho e dor de cabeça. É simples de explicar.

Depois de perder tudo o que eu tinha, por maus negócios feitos ao longo dos anos de 2004 e 2005, comecei a reconstruir minha vida. Mas, obrigado a fazer diferente por conta da situação, tive de deixar de lado os supérfluos, os luxos, os caprichos que me davam mais estatus do que prazer. Tenho certeza de que, por conta da função que tenho hoje numa rede nacional, muita gente imagine que, ao tirar férias, por exemplo, eu passe dias maravilhosos numa pousada de esqui em Bariloche ou desfrute de uma confortável estada num país europeu qualquer, badalado por brasileiros. Não que eu não quisesse isso. Quem não gostaria? Mas, não é bem essa a verdade!

Mesmo que tenha condições para isso hoje, as vezes prefiro passeios bem mais simples. E por um motivo bastante pessoal: por ter aprendido a sentir prazer em pequenas coisas como momentos agradáveis ao lado de amigos, caminhadas matinais numa praia vazia e cozinhar junto com minha mulher no cantinho que adquirimos no litoral para passar nossas horas de folga. E é o que geralmente faço nas minhas férias.

Foi em vários desses momentos que percebi o quanto se pode ser feliz sem estar cercado de ostentações. Nas minhas últimas férias, por exemplo, ao invés de uma viagem a Miami junto com amigos, preferi a calmaria do inverno catarinense em Florianópolis. Ver minhas cachorras correndo por uma praia tranquila, por exemplo, como se estivessem sorrindo por estarem ali, não tem preço. Poder caminhar de mãos dadas com a minha mulher, na época ainda grávida, e apreciar aquela barriga de 6 meses que brilhava à luz do sol de inverno, também foi algo inexplicavelmente gratificante. Sentar na varanda do apartamento pra ler uma revista, saborear um churrasco feito ali, na hora, ou dar uma volta pelo gramado do condomínio me deram a sensação de completude. Principalmente por saber que seria pai poucos meses depois.

Houve uma época em que eu buscava satisfazer minhas vontades morando numa casa luxuosa, ou num carro zero novinho. Acreditava que ter uma lancha iria me fazer feliz. Pensava que se me cercasse de objetos que o dinheiro me permitisse ter, como uma bela moto, ou fazer viagens constantes ao exterior, eu viveria satisfeito e seria melhor aceito no círculo social que eu frequentava. Mas ao perder tudo de repente, vi que essas coisas não fizeram falta nenhuma. Fizeram mais aos amigos que se afastaram quando tudo se perdeu.

Os tombos que a gente leva na vida nos fazem refletir sobre determinadas atitudes. E para mim, não há dinheiro ou estatus no mundo que pague a minha paz e tranquilidade! A paz de caminhar numa praia vazia, de ver as cachorras correndo por ela, de sentar na varanda de casa e ver o sorriso da nossa bebê, de ter a companhia de amigos que não se importam com o ano do seu carro ou o tamanho do seu apartamento, a paz de poder andar pelas ruas sem incômodo e poder tirar um cochilo no fim da tarde durante um fim de semana de folga.

Acho que só assim você vai perceber que o que nos torna insatisfeitos é a quantidade de coisas com as quais você se cerca. Quanto mais você tem, mais você quer e mais insatisfeito você fica. Para sermos felizes, muitas vezes precisamos de bem menos do que desejamos. Basta aprender a desfrutar melhor e dar valor ao que temos, pelo pouco que seja.

Como se diz popularmente, “o menos é mais”!

7 thoughts on “O menos que vale muito mais

  • 28 \28\+00:00 dezembro \28\+00:00 2011 em 21:21
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    Só pra tirar uma dúvida:será que se vc recuperasse sua siuação financeira tal qual era antes ou até melhor vc iria continuar a pensar e viver assim?

    • 28 \28\+00:00 dezembro \28\+00:00 2011 em 21:37
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      Olha, já recuperei e estou muito acima do que estava antes (vc não prestou atenção mas eu disse isso no texto). Não será o dinheiro que mudará minhas atitudes e valores.

  • 28 \28\+00:00 dezembro \28\+00:00 2011 em 21:46
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    Muito bom o texto Ogg.

    Eu que inicio minha fase adulta agora, tirei muitos ensinamentos do seu post. As vezes quando a gente é novo, fica pensando em ter tudo grande, e acaba esquecendo que o importante é ser feliz.

  • 28 \28\+00:00 dezembro \28\+00:00 2011 em 22:21
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    Sei que já falei isso várias vezes no Twitter mas, vc tem uma “mania” de escrever sobre coisas que eu penso ou que se passam dentro de mim. É incrível como muitas coisas batem. Talvez seja a sensibilidade ou o momento de vida, o aprendizado rico que pessoas como nós não cansamos de armazenar. Acredito que só quem tem muita vontade de viver pode, ao longo dos anos, tirar da vida, algo grande, algo maior que a própria vida, algo que faça com que os próximos anos sejam muito mais felizes e proveitosos. Acredito que estamos aqui para aprender e não para reclamar e vejo muito disso em você. Admiro seu caráter e forma de viver. Desejo tudo de bom para você e sua família. Cara, seja feliz. Vc merece pq faz da vida uma escola de aprendizado e pq tem o coração enorme. Desejo muitos e muito anos mais para você nessa escola que muitas vezes nos machuca mas que no final das contas, nos traz muitas coisas boas. Obrigada por colocar pra fora, em várias ocasiões, o que me atormenta e por colocar pra fora tanto sentimento bom que nos traz um sorriso enorme no rosto. O que mais posso dizer? A beleza da “tua embalagem” ainda é pouca perto da beleza que vc tem por dentro. Muito amor pra vc e pra tua família. que Deus esteja sempre com vocês!

  • 29 \29\+00:00 dezembro \29\+00:00 2011 em 07:50
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    Excelente texto. Sábio e inteligente.

  • 29 \29\+00:00 dezembro \29\+00:00 2011 em 10:53
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    Poucas pessoas sabem que são as coisas simples que fazem da vida sincera e nos deixam realmente felizes. Parabéns pelo texto.

  • 16 \16\+00:00 janeiro \16\+00:00 2012 em 22:05
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    Ogg tenho guardada essa historia q vc escreveu quando ainda morava em CG….. te admiro pra caramba viu…sucesso ,paz saude e muito tudo de bom na sua vida

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