O que vai pelo bueiro, volta pela porta da sala.

Por mais um ano, nessa época, começamos a ver desastres ambientais provocados pelas fortes chuvas de verão. Vimos isso em 2008 em Santa Catarina, onde acompanhei de perto a tragédia que atingiu milhares de famílias, presenciamos o flagelo dos moradores de São Luiz do Paraitinga, cidade turística do interior de São Paulo, em 2010, vimos desabrigados e mortos em Petrópolis e parte do Rio, em 2011, e agora assistimos ao desespero dos mineiros aterrorizados com as enchentes. Isso sem contar nos constantes alagamentos em São Paulo a cada temporal. Águas que levam móveis, carros, casas inteiras e, infelizmente, vidas. É a natureza cobrando seu preço. E vos digo uma coisa: a culpa é toda nossa!

Não é raro eu ver, durante as minhas idas e vindas no trânsito, algum imbecil, isso mesmo, IMBECIL!, jogando lixo pra fora do carro como se as ruas e calçadas fossem a lixeira da casa dele. E não é só gente simples não, são madames, executivos, todos em grandes carrões mandando pra fora da janela panfletos, plástico, copinhos de iogurte “Activia”, sem contar na imensa quantidade de tocos de cigarro que rolam asfalto abaixo. Na periferia é gente colocando sofá na rua, geladeira velha, sacos de lixo abertos, entulho pelas calçadas, animais mortos, pneus, fogões e tudo que não lhes serve mais. Uma montoeira de coisas que vai ser levada pela primeira enxurrada, indo parar nos principais rios da cidade. O que se vê nas galerias pluviais é de envergonhar urubu.

E quem mais sofre com tudo isso? A própria população! Aquele sofá velho, aquele pneu, aqueles sacos de lixo que foram deixados na rua, vão entupir algumas dezenas de bueiros e causar as enchentes. E tudo isso vai voltar em forma de prejuízo para quem, por imensa irresponsabilidade e ignorância, botou na rua. Ah, aí vão dizer que a culpa é da prefeitura que não recolhe o lixo. Pode até existir uma certa ineficiência. Mas sabe porque? Porque ela não dá conta!

Recentemente, através de uma reportagem que eu mesmo fiz, mostramos os chamados “pontos viciados de lixo” em São Paulo. Locais onde a população se acostumou a despejar detritos e entulhos sem a mínima vergonha. E logo após passar o caminhão da coleta. São pontes, viadutos, calçadas, ruas de menor movimento, qualquer lugar. Inclusive, durante uma semana, acompanhamos o trabalho de coleta da prefeitura. Assim que tudo era retirado e limpo, sempre vinha alguém jogar tapete velho, pneu, resto de obra e até cachorro morto. Dois dias depois tava tudo imundo, de novo.

Se a população colaborasse mais, o serviço seria mais eficiente.

Por isso eu digo e repito: é a natureza cobrando seu preço. E num valor alto que se traduz em milhares de vítimas. Mas ela, a natureza, está certa. Durante milhões de anos ela nos deu alimento, sombra, água fresca, belas paisagens pra que? Pra receber de volta dejetos da população humana? Ela está simplesmente devolvendo o que lhe foi encaminhada de maneira irresponsável.

E devemos pensar nisso na hora de jogar um simples papel de bala no chão. Não vai te fazer mal se você andar poucos metros a mais e colocá-lo no lugar adequado – O LIXO! Assim você não corre o risco de ver milhões de toneladas de papel flutuando na sala da sua casa, com água até o teto. Se cada um fizer a sua parte tem solução sim!

Colocar o lixo no lixo é mais que uma questão de educação. É de cidadania… e sobrevivência! E você, seu porcalhão que joga papel na rua, toma vergonha na cara e aprende a ser civilizado!