Reduzido onde? Hahaha... conta outra!

Neste próximo dia 15/12 começa a vigorar mais uma medida do governo que esfola o consumidor e dá indícios de protecionismo e, por que não dizer, “cartelismo” da indústria automotiva brasileira. É o aumento do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) dos veículos importados. A desculpa é proteger a indústria nacional que, “coitadinha”, estaria perdendo mercado com a venda crescente de carros importados. A medida, no mínimo, me parece calçada no desespero das montadoras brasileiras contra uma estratégia de gênio das chinesas, sul-coreanas e outras mais: fabricar carros com boa qualidade, acessórios e preços bem mais acessíveis.

Quem não se lembra, lá pelos idos dos anos 80 e começo dos 90, quando tínhamos à nossa disposição apenas veículos da Fiat, Volkswagen, Ford e Chevrolet? A maioria dos carros não tinha ar-condicionado, câmbio automático, vidros e travas elétricos, nem alarme. Se você quisesse alguns desses itens, teria de pagar bem mais caro por eles. Enquanto isso, em outros países, estas mesmas montadoras disponibilizavam modelos bem mais baratos, com acabamento superior e com todos esses opcionais de fábrica. E como a importação estava fora do alcance da maioria dos brasileiros, tínhamos de engolir as carroças nacionais ou enfiar a mão no bolso para ter um pouco mais de conforto.

O que aconteceu? Fernando Collor de Mello mudou esse cenário (talvez uma das únicas coisas decentes que ele fez). Permitiu a importação, mesmo que tenha sido dos sofríveis carros russos (os Lada) e abriu o mercado para outras fábricas. Tudo bem que os primeiros Hyundai, por exemplo, que chegaram aqui, não eram nenhum primor de veículo, mas fez com que as empresas nacionais começassem a melhorar o que nos oferecia. Aí chegamos onde estamos hoje – temos importados com qualidade superior aos nacionais em vários aspectos, preços menores e garantias megaestendidas. Resultado: a venda de veículos importados cresceu mais de 30%, enquanto a de nacionais raspou apenas nos 2% no mesmo período.

É claro que a qualidade dos nacionais aumentou muito, temos excelentes carros que vão dos modelos populares aos mais luxuosos. Mas isso só aconteceu por causa da concorrência com os importados. Se isso mudar, corremos o risco de voltar a comprar gato por lebre.

O que o governo faz agora, atendendo ao chororô das montadoras brasileiras, me soa como mais uma chantagem às montadoras estrangeiras. Oras, se querem proteger a indústria nacional, o governo que as faça produzir veículos mais competitivos e com preços mais atraentes, baixem os famigerados impostos dos veículos (cerca de 50% do valor do carro) e deem incentivos para as fábricas produzirem mais e melhor. Quer um exemplo? O Equador, um país inferior ao nosso em termos de economia e população, consegue vender um iX35 da Hyundai por 24 mil dólares, ou cerca de 43 mil reais. Aqui o mesmo veículo não sai por menos de 95 mil – mais que o dobro!

No meu parecer, aumentar o IPI dos importados é uma atitude desleal de quem quer vencer, não pela competência, mas sim roubando no jogo.

E o pior de tudo isso é que, com essa medida, nenhum carro brasileiro vai baixar de preço. Pelo contrário: as montadoras já anunciaram aumento de pelo menos 15% no preço de alguns modelos nacionais.